O potencial inexplorado do sudoeste asiático

“What’s Next in SouthEast Asia: Seizing Untapped Opportunities in Asia’s Next Growth Frontier.”

Tivemos já oportunidade de, em edições anteriores, analisarmos alguns mercados do Sudeste Asiático, criteriosamente seleccionados pelo seu potencial de crescimento, pelas oportunidades de negócio que apresentam - e que muitas vezes não são óbvias para muitas empresas portuguesas - assim procurando alargar o espectro de possibilidades de internacionalização, ajudando a cruzar novas fronteiras para outros mercados tradicionalmente pouco valorizados.

Olhámos para Singapura, que já em 2013 havíamos apelidado de “O El Dourado entre os Tigres Asiáticos.” Em 2016 “viajámos” até à Malásia, aí identificando um vasto conjunto de oportunidades a explorar. Analisámos o mercado das Filipinas, alertando, no início do ano passado, para “O nascimento de um novo Tigre Asiático”. Tratando-se de “Um dos novos motores da economia mundial” considerámos imperativo avaliar os riscos e as vantagens de conquistar o mercado indonésio e, mais recentemente (Março, 2019) arriscámos ir ao encontro do “Tigre asiático desconhecido” - o Vietname.

Mercados geograficamente distantes (historicamente alguns nem tanto), ainda relativamente desconhecidos para muitas empresas portuguesas, mas que integram uma das realidades económicas mais vivas e dinâmicas de toda a Ásia e até mesmo no quadro mais vasto da economia mundial: o Sudeste Asiático.

Mercados que, numa lógica de reposicionamento perante o reequilíbrio de forças na região a que se tem assistido ao longo dos anos mais recentes, procuram tirar partido do seu posicionamento geográfico, em muitos casos altamente estratégico - a Malásia junto ao estreito de Malaca por onde circulam cerca de 16% das trocas mundiais; a Indonésia, num dos mais importantes chockepoints das rotas marítimas do comércio internacional, entre o Sudeste Asiático e a Oceânia, servindo também de corredor de acesso entre o Índico e o Pacífico; Singapura também num ponto de convergência de rotas do comércio mundial -, para se abrirem cada vez mais ao comércio e ao investimento externo, afirmarem como importantes hubs logísticos e comerciais (Singapura, por exemplo, figurando como um dos mais importantes centros de distribuição de mercadorias a nível mundial), assim conquistando e consolidando a sua importância no comércio internacional.

Economias que passaram por verdadeiros milagres económicos, que hoje crescem mais rápido, acima da média mundial, que têm maior potencial de expansão e desenvolvimento, a maior parte delas apresentando, até, as mais altas previsões de crescimento a nível mundial para os próximos 5 anos e que, por isso, estão entre os maiores contribuidores para o crescimento do PIB global. Economias cada vez mais competitivas, destinos privilegiados de fluxos de IDE, algumas sendo hoje incontestavelmente importantes praças financeiras mundiais (Singapura).

Ao longo dos últimos anos, temos estado atentos a estas mudanças, às novas dinâmicas que animam estes mercados e que fazem do Sudeste Asiático uma das mais vibrantes e atractivas regiões de todo o mundo para quem quer exportar, importar e investir.

São precisamente estes mercados que integram o estudo recentemente publicado pela consultora Nielsen intitulado “What’s Next in SouthEast Asia: Seizing Untapped Opportunities in Asia’s Next Growth Frontier.”

Além das cinco economias referidas o estudo abrange ainda o Myanmar e a Tailândia.

Um conjunto de sete economias que representam um mercado de cerca de 627,765 milhões de potenciais consumidores (c. 8% da pop. mundial). Naturalmente com diferenças entre eles, no seu todo, uma população jovem, em maior crescimento do que o resto do mundo (a par do continente africano), caracterizada por um aumento significativo do seu poder de compra e, consequentemente, pelo surgimento de uma classe média que promete alterar os padrões de consumo na região. A este propósito, não será de menos referir que actualmente é a região da Ásia-Pacífico que lidera a mais rápida expansão da classe média alguma vez registada na História. Os números assim o demonstram.

Trata-se de um estudo que se centra numa análise comparativa da região, destacando as principais semelhanças e diferenças entre estas sete economias do sudeste asiático, analisando indicadores como: taxas de crescimento económico; índices referentes à sua sustentabilidade; evolução de PIBs/per-capita por forma a avaliar o potencial de aumento do poder de compra; ritmos de crescimento demográfico; rácios populacionais, entre alguns outros. Indicadores que, no final, se apresentam altamente positivos e que apontam para a enorme oportunidade de crescimento na região que actualmente permanece inexplorada face ao seu verdadeiro potencial.

De acordo com o estudo, as vicissitudes de cada um destes mercados, os seus diferentes recursos, as suas distintas regras de funcionamento, as vulnerabilidades que cada um apresenta, entre outros factores, inviabilizam a concepção de uma estratégia de abordagem única para todos. Mas, no final, equacionando os indicadores supra referidos e as vulnerabilidades identificadas em cada em dos mercados analisados, o estudo é muito claro na sua conclusão: depois dos tradicionais tigres asiáticos a estimular o crescimento da economia e comércio mundial, esta é indubitavelmente a hora e a vez destas novas economias impulsionarem o aumento do consumo de bens e serviços a nível mundial.

Num contexto em que há já algum tempo que os radares dos investidores internacionais se têm direccionado para as oportunidades das economias do Pacífico, também as empresas portuguesas deverão fazê-lo em busca de oportunidades de negócio na região. Neste contexto, as sete economias abordadas no estudo constituem, actualmente, um grupo de particular potencial que não deve ser subvalorizado se o objectivo é intensificar a internacionalização das empresas e da economia portuguesa.

Naturalmente que a distância física aos mercados de destino será sempre um factor de enorme relevância na determinação da estrutura dos nossos clientes. Ainda assim, o dinamismo e a vitalidade destas economias e o potencial destes mercados - que poderá ser conhecido em maior detalhe analisando o estudo, cujos particularismos não podem aqui ser desenvolvidos - aconselham a uma revisão/adaptação das estratégias de internacionalização das empresas portuguesas.

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