Reino Unido - Relações com Portugal e Potencial Exportador

5cada4a4268c7Naturalmente que o anúncio de saída do Reino Unido (RU) da União Europeia (UE) foi um marco e significou um ponto de viragem nas relações comerciais com Portugal. Ainda que o valor total das trocas entre os dois países atingido no último ano (um pouco mais de 5,57 mil milhões de euros) signifique um aumento de quase 40% face ao valor do comércio bilateral praticado em 2012, significando isso também uma taxa de crescimento médio anual (TCMA) positiva de 5,5%, é fundamental percebermos as diferenças no relacionamento comercial antes e pós 2016. E os números falam por si.

Embora com oscilações significativas, de 2012 até 2016 o comércio bilateral entre os dois países foi crescendo a uma média de 7,2% ao ano. E se não considerarmos o ano de 2016 - em que o crescimento foi de apenas 1,7%, face aos 10,2% de 2015 - a média de crescimento sobe para muito próximo dos 9% ao ano. O quadro altera-se substancialmente uma vez anunciada a saída do RU da UE. Nos dois anos que se seguiram a média de crescimento não chegou aos 2,2% e o último ano (2018) foi ainda mais desencorajador com o valor das trocas a aumentar apenas 1,1%, face a 2017.

O cenário torna-se mais optimista ao olharmos a estrutura das trocas, apercebendo-nos que é nas nossas exportações que elas têm o seu grande pilar. Não só em termos absolutos como em termos de evolução média anual, o grande motor do comércio bilateral entre Portugal e o RU tem sido as exportações que claramente suplantam as importações, tanto nos valores envolvidos como no ritmo de crescimento.

Desde logo, ao longo dos últimos 6 anos (2013-2018) as exportações cresceram a um ritmo médio de 7,6%, contra um crescimento de apenas 2,2% das importações no mesmo período, o que, por si só, revela um maior dinamismo das primeiras face às segundas. Os números são ainda mais expressivos em termos absolutos, se pensarmos que de 2012 para 2018 as nossas vendas com destino ao RU aumentaram quase 54% contra um crescimento de 13,6% das importações. A diferença é significativa. Mas também aqui é interessante percebermos as diferentes dinâmicas comerciais antes e pós anúncio de saída.

Depois de três anos a crescer a um ritmo médio de 12%, logo em 2016 as exportações com destino ao mercado britânico registaram uma contracção, subindo apenas 5,4%. Desde então a desaceleração tem sido cada vez mais evidente (3,1% em 2017), e foi particularmente expressiva no último ano, com um crescimento quase nulo (abaixo dos 0,7%), totalizando 3,673 mil milhões de euros.

Também as importações, que tradicionalmente assumem valores bem mais inferiores do que as exportações - daqui resultando historicamente saldos comerciais positivos para Portugal - denotaram uma inflexão. Nos três anos que antecederam o referendo a TCMA foi de 4,3% e a recuperação que tem vindo a ser feita depois da forte quebra registada em 2016 (-4,9%), não tem sido suficiente para regressar aos valores do passado. O último ano não foi excepção, com as importações a subirem 2%, ainda menos do que em 2017 (3,5%), totalizando apenas 1,901 mil milhões de euros.

Os primeiros 4 meses de 2019 continuaram a ser de predomínio das exportações (1,246 mil milhões de euros) face às importações (624 milhões de euros), embora estes valores traduzam um maior crescimento destas (3,1%) face àquelas (1,3%), em relação a igual período do ano anterior. Um crescimento mais acentuado das importações que vem, aliás, no seguimento do que já tinha acontecido em 2017 e 2018. Por outras palavras, as importações têm vindo a recuperar mais facilmente do que as exportações, o que facilmente se entende face ao actual contexto do mercado britânico.

Apesar do quadro apresentado ser revelador de um menor dinamismo no relacionamento comercial com o RU, este continua a ser um parceiro vital no comércio internacional português, sendo o nosso 8º mais importante fornecedor, o 4º maior cliente e mercado de destino de exportações de bens para mais de 4.000 empresas portuguesas.

Máquinas e aparelhos (19,8%), veículos e outros materiais de transporte (18,8%), metais comuns (8,3%), vestuário (7,1%) e produtos alimentares (6,2%), lideraram as exportações portuguesas para o RU em 2018. Mas a par destes produtos, há indicadores que sugerem particular potencial exportador tratando-se também de madeira e cortiça, das pastas celulósicas e papel, de minerais e minérios, matérias têxteis, peles e couros, podendo aqui existir outros nichos de oportunidade de negócio a explorar pelas empresas portuguesas.

 

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