Coreia do Sul: Relações com Portugal e Potencial Exportador

Apesar do potencial dos negócios, a importância da Coreia do Sul nos fluxos comerciais de Portugal é ainda relativamente diminuta e tem passado por oscilações significativas ao longo da última década. As trocas entre os dois países têm, como tal, alternado entre fases de maior crescimento e outras de maior retracção. Mas à excepção de 2016, ano de quase estagnação, mas ainda assim com as trocas a subirem aproximadamente 0,2%, desde 2013 que a tendência tem sido de crescimento ininterrupto, a uma média anual de 16,1%, com alguns anos a registarem mesmo aumentos acima de 20%. O último, 2018, veio confirmar esta tendência, com as trocas a atingirem um total de 615,625 milhões de euros, o que representou uma subida superior a 17% face ao ano anterior.

No entanto, se considerarmos o ritmo médio de crescimento verificado ao longo da última década - uma TCMA de cerca de 6,9% - vemos que ainda há muito a fazer para reforçar o comércio bilateral entre os dois países, principalmente num quadro em que as trocas têm sido bem mais favoráveis à Coreia do Sul, com a nossa balança comercial a apresentar sucessivamente saldos negativos.

Assim tem sido ao longo de toda a última década, assim foi também no último ano, em que as importações voltaram a ultrapassar largamente as exportações. Foram quase 497 milhões de euros o valor total do que Portugal comprou à Coreia do Sul em 2018, contra um montante total de exportações que não chegou a atingir os 119 milhões de euros. Acresce, que estes valores traduziram uma diminuição das exportações na ordem dos 5,2% e um aumento das importações de cerca de 24%. Face a Janeiro de 2018, o primeiro mês de 2019 seguiu esta mesma linha de contracção das exportações (-23,6%) e aumento das importações (30,1%) com aquelas a totalizarem apenas 9,3 milhões euros e estas 47 milhões de euros.

Mas os números tornam-se mais encorajadores se olharmos o quadro geral. Ainda que a diferença não seja muito significativa, o ritmo médio de crescimento das nossas exportações ao longo da última década é superior ao das importações: 10,6% vs 7,3%, respectivamente. Mais ainda, em termos absolutos, entre 2007 e 2018 as exportações nacionais com destino ao mercado sul-coreano cresceram 143,7%, face a um aumento das importações que não chegou aos 74%.

Para esta evolução terá certamente contribuído o aumento de empresas nacionais a exportar para o país, que de 348 em 2007 passaram a 639 dez anos depois, com uma variação média anual de 10,8% nos últimos cinco anos. Ainda assim, a Coreia do Sul permanece (Jan. 2019) um parceiro comercial mais importante para Portugal enquanto fornecedor (25º lugar) do que enquanto cliente (45º lugar).

Ainda assim, este é um mercado com potencial exportador para muitas empresas portuguesas apostadas numa maior internacionalização direccionada para mercados mais a oriente. Que o digam as empresas de produtos químicos, de peles e couros, de veículos e outros materiais de transporte e as empresas de produtos alimentares, cujas exportações para a Coreia do Sul registaram as maiores taxas de crescimento no último ano: entre os 21% e os 71%. Os produtos agrícolas - que no passado (2007) já foram o segundo maior grupo de produtos exportados para o país - também têm vindo a reforçar o seu potencial exportador, assim como o sector da madeira e da cortiça que denota especial dinamismo, podendo aqui encontra-se nichos de oportunidade de exportação a explorar.

Em termos gerais, em 2018, as nossas exportações foram lideradas pelos plásticos e borrachas (39,3%), máquinas e aparelhos (17,6%), produtos químicos (6,6%), matérias têxteis (4,9%) e pelos minerais e minérios (4,4%). Uma estrutura que registou algumas alterações no primeiro mês deste ano, com o calçado e o vestuário a reclamarem o seu lugar no top 5 das exportações com destino à Coreia do Sul.

 

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