México: Riscos e Oportunidades

A trajectória política e económica que o México tem vindo a traçar e a sua muito forte aposta numa crescente integração nas rotas internacionais do comércio e do investimento traduz-se num conjunto de oportunidades para as empresas que para aí se queiram internacionalizar, quer na vertente da exportação, quer na vertente do investimento. No entanto, subsistem alguns riscos e obstáculos que importa considerar.

O México é ainda um país de desigualdades. Desigualdades entre o norte e o sul, entre os grandes centros urbanos e o mundo rural, entre uma indústria exportadora moderna, produtiva e competitiva constituída por grandes empresas e um vastíssimo universo de pequenas e médias empresas, ainda alicerçadas em modelos de gestão tradicionais de base familiar - factor marcante na cultura de negócios do país. Mas mais gritante serão as disparidades económicas que não só persistem, apesar dos esforços, como são ainda muito significativas e não raras vezes geradoras de tensões sociais, com os riscos de instabilidade daí decorrentes.

Ao risco de instabilidade social acrescem níveis de corrupção ainda considerados elevados e uma máquina burocrática bastante pesada.

Mas o maior desafio político, económico e securitário que o país apresenta, continua a residir nos elevados índices de criminalidade e violência, em larga medida associados ao narcotráfico. As políticas dos últimos anos vieram evidenciar uma das grandes vulnerabilidades do país - o México parece não ter os recursos necessários responder eficazmente ao crime organizado. Acresce que, o elevado nível de violência e criminalidade não resulta apenas da luta do Governo contra os cartéis, mas também dos diferentes cartéis entre si, o que significa que mesmo um possível acordo entre o Estado e os principais grupos criminosos poderá não ser suficiente para garantir a segurança desejada. Esta é uma luta ainda longe de estar ganha. O reverso da medalha é que esta é uma área onde a procura por serviços de segurança privada tem vindo a aumentar substancialmente, encontrando-se aqui oportunidades de negócio a explorar.

Da conjugação de um mercado que já ultrapassa os 125 milhões de consumidores (11º maior do mundo), com uma população em crescimento, nomeadamente da classe média, e uma inflação controlada a níveis considerados baixos, resulta um aumento considerável da procura interna por todo o tipo de bens de consumo, incluindo bens duráveis e, principalmente, bens básicos. O sector a retalho tem por isso crescido de forma significativa, com os negócios focados no preço a apresentarem grande potencial, tanto na vertente dos “outlets” como das “lojas dos tês pesos.”

Outros mercados com potencial de crescimento são o das máquinas e equipamentos, com destaque para os equipamentos agrícolas, e o do imobiliário, principalmente tratando-se do nicho da habitação de baixo custo. Numa lógica oposta surge o turismo. O México é um importante destino turístico internacional e muito direccionado para nichos com elevado poder de compra, encontrando-se aqui as maiores oportunidades de negócio.

A maior parte do IDE no país é direccionado para quatro indústrias/sectores: automóvel; petroquímico; vestuário e electrónico, aqui com especial ênfase nas TICs que lideram a lista de oportunidades. Mas todos eles têm vindo a crescer, oferecendo boas oportunidades de negócio.

Fruto das reformas implementadas, têm sido abertas portas à participação estrangeira noutros sectores estratégicos como as energias - eléctrica e oil & gas - e as minas. Sectores em profunda transformação visando a sua modernização, com enormes necessidades de investimento ao nível da produção, exploração, extracção, refinaria e distribuição, com tudo o que aqui subjaz também em termos de construção de infra-estruturas.

Independentemente do sector, num plano mais macro, deverá ainda ser sublinhada a pressão sentida no México para diminuir a sua dependência face ao mercado norte-americano - cujos riscos se tornaram particularmente visíveis no quadro da política comercial da Administração Trump -, o que poderá levar a ainda mais mudanças no ambiente de negócios no país, potenciadoras de novas oportunidades para investidores, parceiros e empresas europeias.

 

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