Angola - Riscos e oportunidades

Apesar de o clima político ser favorável e da importância das medidas económicas que têm vindo a ser tomadas, permanecem dúvidas quando ao futuro do quadro angolano que continua a apresentar alguns riscos.

 

joaao lourenco2No plano político, o modo pacífico como a transição foi sendo operada e a estabilidade que tem sido mantida são evidentes, afastando cenários mais pessimistas e de maior risco. As mudanças têm sido reais e bem acolhidas pelos angolanos e pelos parceiros internacionais, ajudando à recuperação da imagem e credibilidade externa do país. O balanço de quase um ano e meio de governação merece nota positiva, mas o risco inerente a um projecto de transição tão complexo como o angolano não está totalmente mitigado. Persistem factores de risco que poderão comprometer o caminho até agora percorrido e que decorrem, principalmente, das dificuldades que se esperam na implementação das reformas necessárias a uma verdadeira transformação do país, principalmente do ponto de vista económico e social. Os angolanos tornaram-se cada vez mais conscientes da desigualdade na distribuição dos recursos e das oportunidades durante muito tempo decididas pelo poder político e não estão mais dispostos a aceitar que assim seja. A mudança tem de ser efectiva e João Lourenço terá de conseguir responder às legitimas aspirações dos angolanos.

 

fmiA evolução do quadro financeiro, dependerá, em muito, das negociações com o FMI, onde se espera que a questão do peso da dívida pública seja uma das prioridades. Cerca de 60% do orçamento angolano tem como destino o pagamento de juros da dívida, situação considerada insustentável e totalmente impeditiva face aos objectivos de crescimento e desenvolvimento do país, no centro dos quais está a necessidade de diversificação da sua economia, ainda demasiadamente dependente dos hidrocarbonetos. Embora se verifique uma ligeira redução do peso deste sector, tal ainda não se traduziu numa alteração estrutural das exportações, nem das receitas do Estado, sobretudo das receitas em divisa estrangeira. A situação permanece, por isso, delicada, mas as perspectivas são optimistas, alimentadas pelas expectativas de subida do preço do crude e ainda mais pela evolução política que vem sendo registada.

 

Do ponto de vista económico, a excessiva dependência do sector petrolífero continua a ser uma das maiores vulnerabilidade do país, forçando Angola a reconverter a sua economia o que, a prazo, será positivo para os angolanos, para os investidores estrangeiros e, consequentemente, para as empresas portuguesas.
Não será uma tarefa fácil nem de rápida execução, mas também aqui há sinais encorajadores, desde logo, a abertura de sectores importantes da economia – a começar pelo próprio sector do petróleo, mas também dos diamantes e das telecomunicações – até recentemente controlados “de facto” pela família do ex-PR, o que tem vindo a cativar o interesse de empresas já presentes no país e de potenciais novos investidores.

café-angolano-750x430Entre os outros sectores que apresentam maior potencial de crescimento sublinha-se: a agricultura e a agro-indústria, nomeadamente o café, o algodão e a fruta; os sectores da pecuária, das pescas e das florestas; a construção, principalmente tratando-se de infraestruturas, com destaque para as águas dada a grande potencialidade de Angola neste domínio; a indústria transformadora; os transportes e a distribuição de energia. É também esperado um aumento das oportunidades no sector dos serviços, em particular na restauração, hotelaria, TICs, serviços de consultoria, ensino e educação, incluindo formação técnica e profissional, também como resultado de uma estratégia de qualificação de mão-de-obra nacional.

De notar, que a tentativa de desenvolvimento do sector industrial, principalmente tratando-se da indústria transformadora, tem sido acompanhado por uma estratégia que visa reduzir as importações, através da recuperação e da produção nacional. Esta mudança terá, naturalmente, efeitos sobre o ambiente de negócios em Angola, obrigando as empresas que queiram entrar ou reforçar a sua presença neste mercado a um esforço redobrado de adaptação aos recentes condicionalismos e aos novos sectores-chave da economia angolana. Ainda assim, as oportunidades existem e vêm sendo acompanhadas por esforços de atracção de mais investimento estrangeiro e desenvolvimento do sector privado. Esforços que marcam a nova fase que o país atravessa e na qual as empresas portuguesas não deverão deixar de participar.

 

Overview

Relações com Portugal e Potencial Exportador

 

 

Ser Associado da Câmara de Comércio significa fazer parte de uma instituição que foi pioneira do associativismo em Portugal.

 

Os nossos Associados dispõem do acesso, em exclusividade, a um conjunto de ferramentas facilitadoras da gestão e organização das respectivas empresas.