Arábia Saudita: Riscos e Oportunidades

Apesar do actual clima de transformação, tratando-se de um mercado do Médio Oriente, região historicamente conturbada, deverá ser sempre tida alguma cautela na análise de perspectivas e risco de investimento.

País muçulmano de maioria sunita (85%-90% da população), tradicionalmente a Arábia Saudita tem no Irão (de maioria xiita) o seu grande rival, competindo com Teerão por uma posição de hegemonia. O histórico de conflitualidade entre os países é conhecido e o equilíbrio regional é facilmente abalável - principalmente quando estão em causa regimes onde não há uma separação rígida entre poder político e religioso - devendo ser sempre considerado o risco de escalada de tensões, com as consequências que normalmente daí advêm em termos de flutuação dos preços do petróleo e de outras commodities, turbulência nos mercados financeiros, estabilidade do ambiente de negócios etc.

Serão também desafios a considerar a situação no vizinho Iémen, onde a Arábia Saudita está envolvida numa guerra por procuração (precisamente com o Irão) e alguns riscos securitários decorrentes do enquadramento regional do país, onde ressalta a persistência de fenómenos de extremismo islâmico.

Do ponto de vista interno, o actual momento de transição política também deverá ser avaliado. O actual monarca conta já com 81 anos e há indícios de que não esteja nas melhores condições de saúde. Riade está interessada em veicular uma ideia de transição ordenada e consensual, mas a realidade pode ser outra. A alteração da linha de sucessão pode ser um motivo de descontentamento para outros membros da família real, na medida em que o poder está agora concentrado num único ramo da casa de Saud. Acresce, que a figura do futuro rei não reúne consenso. A sua actuação em cargos anteriores do Governo, a sua ambiciosa agenda económica e os seus ímpetos reformistas - a que não serão alheios objectivos de afirmação pessoal - causam alguma preocupação a nível interno e internacional, temendo-se que ao procurar (re)afirmar o primado saudita (e sunita) na região, Mohammad bin Salman faça perigosos erros de cálculo e acabe por se transformar num factor de destabilização.

Este é um mercado vulnerável e de algum risco também pelo grau de exposição da sua economia ao sector dos hidrocarbonetos, responsável por cerca de 90 a 95% das exportações e 75% a 80% das receitas do Estado. A crise dos preços do petróleo iniciada em 2014 afectou a economia do país e veio tornar evidente a necessidade de diversificação das suas estruturas.

No plano mais micro, são apontados como factores problemáticos para se fazer negócios no país: uma legislação laboral restritiva; um mercado de trabalho demasiadamente segmentado entre diferentes grupos da população; dificuldades no acesso ao crédito e a qualidade da mão-de-obra. Ainda que a frequência no Ensino superior ultrapasse os 63%, são necessários mais esforços para adequar a qualidade da Educação e alinhá-la com as necessidades económicas do país, principalmente considerando-se o enorme desafio da diversificação da economia.

Uma economia com enorme potencial de expansão. Desde logo, porque a par das suas vastas reservas de petróleo (as 2ªs maiores a nível mundial), o país detém também as 6ªs maiores reservas de gás natural, sendo por isso uma potência energética ainda em crescimento. Mas também pelo próprio objectivo estratégico de diversificação da economia, com uma clara aposta no sector privado em áreas como a saúde, o turismo, a educação, as telecomunicações, as energias renováveis, o sector petroquímico, dos cimentos, fertilizantes, plásticos e metais, com oportunidades de negócios a explorar.

Ao nível das importações deverão ser considerados os sectores dos produtos agro-alimentares, automóvel e construção, onde o mercado saudita pode apresentar oportunidades de negócio interessantes para as empresas portuguesas.

 

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