Indonésia: riscos e oportunidades

A Indonésia é um país marcado por uma imensa variedade de grupos étnicos, culturais e religiosos. O passado recente foi marcado por alguns movimentos e acções separatistas, e ainda hoje a religião tem um papel muito significativo na sociedade indonésia. Existem, por isso, algumas tensões étnicas e sinais de um certo grau de intolerância religiosa em áreas pontuais do país. Ainda assim, a progressiva consolidação de um sistema democrático, assente no pluralismo, na heterogeneidade cultural e no respeito pelos direitos e liberdades fundamentais é uma realidade que contribui para o aumento de confiança na estabilidade do país e no nível de risco político relativamente baixo que ele hoje apresenta.

De considerar ainda alguns riscos que resultam do posicionamento geográfico deste mercado, que o tornam particularmente vulnerável a desastres naturais como terramotos, tsunamis ou tufões, que podem, à semelhança do que aconteceu no passado, vir a causar danos económicos ao país.

Apesar de uma série de pacotes legislativos que vem sendo aprovados desde 2015 que visam, entre outros aspectos, desregulamentar, simplificar, abrir a economia ao exterior, uma maior captação de investimento e o aumento do poder de compra, subsistem obstáculos a considerar:

  • taxas de importação que, em alguns casos, permanecem elevadas de modo a proteger produtos locais;
  • procedimentos burocráticos pesados, ainda que conhecidos dos empresários;
  • uma enorme exigência nos standars nacionais; requisitos de incorporação de componente nacional;
  • níveis ainda relativamente elevados de corrupção;
  • dificuldades no acesso ao financiamento e;
  • deficiência e/ou desadequação de algumas infra-estruturas, entre outras barreiras que prejudicam o ambiente de negócios.

 

Mas onde há riscos há também oportunidades.

Sendo o maior arquipélago do mundo, a Indonésia é composta por mais de 17.500 ilhas, embora apenas 6 mil sejam habitadas. Dividido em 33 províncias, cinco delas gozam de estatuto político-administrativo especial: Jacarta, Aceh, Yogyakarta, Papua e Papua Ocidental.

A capital, a cidade de Jacarta, situada na ilha de Java, é o maior centro urbano do país, com uma população de cerca de 10 milhões de pessoas, estimando-se que à volta de 18 milhões vivam na sua área metropolitana. A par de centro político, Jacarta é também o centro económico e cultural do país e a cidade onde as principais empresas estão sedeadas, continuando a ser o maior destino no país para quem aí quer fazer negócios. Não obstante, cidades como Surabaia, também em Java, e Medan, na ilha de Sumatra, tem vindo a destacar-se pelo dinamismo do seu ambiente de negócios - no último caso em muito pela proximidade a Singapura - assumindo-se cada vez mais como centros alternativos de comércio e investimento.

Joko Widodo 2014 official portraitCom o actual presidente, Joko Widodo, está em marcha um plano de expansão e de desenvolvimento económico para lá das ilhas de Java e de Sumatra, visando colmatar assimetrias regionais, com uma clara aposta noutras áreas do país, com base num ambicioso plano de investimento no valor global de 460 mil milhões de dólares (isto, só até 2019) e que, entre outros sectores, beneficiará o desenvolvimento de infra-estruturas rodoviárias, de comunicação, habitação, electrificação etc. Um plano que não poderá ser cabalmente desenvolvido sem investimento privado e sem a participação de empresas estrangeiras. O sector das infra-estruturas, nas suas múltiplas vertentes, deverá, como tal, merecer especial atenção por quem procura oportunidades de negócio no país.

O objectivo do desenvolvimento e consolidação da indústria nacional, através de um conjunto de planos e programas já em execução, tem-se traduzido num aumento da procura de energia. O desenvolvimento do sector energético é, aliás, uma das prioridades estratégicas do país, existindo neste sector oportunidades que devem ser exploradas, principalmente tratando-se de energias renováveis: eólica (em algumas ilhas) mas, sobretudo no subsector da energia geotérmica onde o potencial de desenvolvimento é muito significativo. Acresce, que em virtude da configuração geográfica e territorial do país, são várias as ilhas que vivem apenas de energia renovável, encontrando-se totalmente desprovidas de fornecimento energético alternativo.

A par da indústria, o turismo e a logística são outras das áreas que mais se têm aberto ao investimento estrangeiro, no último caso existindo muitas oportunidades no nicho das cadeias de fornecimento e redes de distribuição, onde as empresas portuguesas poderão ter alguma facilidade de entrada, uma vez encontrado o parceiro local adequado.

Rico em recursos naturais como o petróleo, gás natural, carvão, ouro, prata, estanho, madeira etc., o país destaca-se ainda pelos seus solos muito férteis, altamente propícios ao desenvolvimento do sector agrícola, onde também existem oportunidades de investimento, com nichos importantes tratando-se de produtos tropicais.

O sector da maquinaria, novas tecnologias, saúde, e uma variedade de bens de consumo são outras áreas onde as empresas portuguesas podem encontrar oportunidades de expansão, num país externamente com cada vez mais potencial para funcionar como gateway para outros mercados asiáticos - mais do que Singapura (que tem associado custos mais elevados) e do que a Malásia (um mercado ainda relativamente fechado) -, e onde, internamente, é notório o aumento de uma classe média com apetência para o consumo e com crescente poder aquisitivo. E na Indonésia as empresas portuguesas poderão ter cartas a dar tratando-se de nichos próprios das classes médias.

 

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