Colômbia: Riscos e Oportunidades

O Acordo de Paz alcançado em Novembro de 2016, entre o Governo e as FARC, veio pôr fim a um conflito armado que se prolongou por cerca de 50 anos, provocando mais de 220 mil mortes, cerca de 50 mil desaparecidos e milhões de deslocados. No seguimento deste acordo, as FARC entregaram as suas armas e foram esvaziados dezenas de esconderijos de material clandestino. Este foi um marco histórico e mais um sinal de confiança na estabilidade política do país, que não deixou de merecer a atenção de investidores externos.
Todavia, persistem riscos. Desde logo, não há garantias absolutas que todo o equipamento bélico tenha sido entregue. Muito mais material poderá estar por descobrir, não havendo certezas quanto à sua efectiva destruição.

Mas o maior risco resulta das dificuldades de reintegração das FARC na vida política e social do país. O governo comprometeu-se a construir casas devidamente equipadas, a fornecer serviços médicos, acções de formação e capacitação dos ex-guerrilheiros com vista à sua reintegração na sociedade colombiana. Mas a actual situação está muito longe do acordado. As zonas de concentração dos antigos rebeldes assemelham-se a bairros de lata ou ghettos liderados por ex-comandantes. O governo sempre se referiu a estas zonas como áreas transitórias de residência que passariam a ter um estatuto jurídico semelhante ao de qualquer cidade ou vila colombiana, onde a autoridade e a segurança fossem exercidas pela Força Pública. Mas são vários os factores de risco que poderão inviabilizar este objectivo de integração das forças desmobilizadas e alimentar cenários de alguma instabilidade no futuro. O actual ambiente que se vive no país no quadro das eleições presidenciais em curso - onde este tema tem tido um papel decisivo na mobilização do eleitorado - comprova a dimensão do desafio.

Ainda assim, ninguém estará interessado no regresso ao conflito armado, o que ajudará a mitigar os riscos de retrocesso nos progressos alcançados. Não obstante, não será fácil o caminho para uma efectiva reconciliação nacional.

A par do plano político e social, existem desafios de outra natureza a ultrapassar. É necessário dar continuidade à diversificação da economia, garantindo que ela não se torna demasiado dependente do sector energético e da indústria extractiva. É também urgente melhorar os índices de competitividade e as infraestruturas, consideradas um dos factores mais problemáticos à realização de negócios no país.

Mas os desafios podem ser aproveitados. A diversificação da economia não deixará de se traduzir em oportunidades para investidores e empresas internacionais, tal como as lacunas existentes ao nível das infraestruturas. A aposta numa crescente atracção de investimento estrangeiro tem sido feita ao longo destes vectores. No plano das infraestruturas - com vastas zonas do país significativamente subdesenvolvidas, pois durante décadas sob controlo/administração das FARC e, como tal, necessitadas de investimento maciço em infraestruturas de apoio à população - está em curso um vasto programa de construção e reparação rodoviária e habitacional, para o qual o governo tem vindo a destinar vários milhões de dólares e o qual não poderá ser cabalmente desenvolvido sem investimento e participação de empresas estrangeiras. Neste sentido, áreas como a construção civil e sectores associados (materiais de construção, equipamento, consultoria, etc.) são actualmente estratégicas para a Colômbia e são várias as empresas portuguesas com capacidade de resposta que aqui podem encontrar oportunidades de projecção internacional. O mesmo acontece com o sector das tecnologias de informação e comunicação, onde existe igualmente algum nível de complementaridade com a economia portuguesa.

A Colômbia apresenta, ainda, grandes oportunidades para quem olhe para este mercado como uma plataforma para investir noutros países da região, nomeadamente nos Estados vizinhos que integram a Aliança do Pacífico (Chile, Costa Rica, México e Peru), sendo ainda de salientar vários acordos de livre comércio, desde logo, com a UE (em vigor desde 2013) e até mesmo o acordo para evitar a dupla tributação com Portugal.

 

Overview
Relações com Portugal e potencial exportador

Ser Associado da Câmara de Comércio significa fazer parte de uma instituição que foi pioneira do associativismo em Portugal.

 

Os nossos Associados dispõem do acesso, em exclusividade, a um conjunto de ferramentas facilitadoras da gestão e organização das respectivas empresas.