Entrevista: Bruxelas - Centro de Decisão de 70% da Legislação Nacional

HenriqueBurnayHenrique Burnay Senior Partner da Eupportunity

 

Tendo em vista a importância do acompanhamento dos assuntos europeus e dos dossiers comunitários, a Câmara de Comércio estabeleceu uma parceria com a Eupportunity, passando a ter uma representação permanente em Bruxelas para acompanhar os dossiers de interesse para os associados e também as reuniões da Eurochambres - Associação das Câmaras de Comércio e Indústria Europeias, na qual está filiada.

Através desta colaboração, passámos a disponibilizar um novo serviço de apoio aos nossos associados para esclarecimento de questões e dúvidas sobre assuntos europeus. Os nossos associados poderão solicitar informações sobre temas do seu interesse que estejam em discussão nas instituições comunitárias, sendo-lhes facultado um briefing com o estado do processo, o seu calendário e principais intervenientes.


Para aprofundar o âmbito desta parceria e quais os seus benefícios directos para os Associados da Câmara de Comércio, falámos com Henrique Burnay, Senior Partner da Eupportunity.

 

A Eupportunity é a primeira empresa portuguesa especializada em assuntos europeus. Quais são as áreas de actuação?
A Eupportunity desenvolve três grandes áreas de actividade: Public affairs ou representação de interesses junto das instituições europeias; apoio à identificação e participação em programas europeus de financiamento a projectos de investigação e inovação; e apoio à internacionalização através de uma série de instrumentos dos quais destacamos a identificação de oportunidades de negócio gerados pela contratação pública europeia e pelos fundos europeus de cooperação externa, em particular para países africanos.

 

De que forma podem apoiar as empresas associadas da Câmara de Comércio?
Podemos apoiar os associados da Câmara de Comércio prestando os seguintes serviços:
- Identificação dos programas europeus geridos pela Comissão Europeia mais relevantes, análise da respectiva programação anual e antecipação do lançamento dos correspondentes convites à apresentação de propostas, com a finalidade de proporcionar uma atempada apresentação de candidaturas;
- Identificação de entidades com interesse e potencial para o estabelecimento de parcerias com o associado para candidaturas a financiamento de projectos;
- Prestação de apoio específico na construção de consórcios e na redacção de propostas de candidatura a financiamentos.

 

De que maneira é que defendem os interesses das empresas portuguesas junto dos centros de decisão de poder em Bruxelas?
Com escritório em Bruxelas, estamos numa óptima posição para acompanhar as iniciativas políticas e legislativas europeias, além de defender as posições dos clientes perante os decisores e para identificar oportunidades de negócio e de financiamento.
Desde o início da actividade, temos construído uma reputação de experiência e procurado posicionarmo-nos como uma referência junto dos decisores, porque é fundamental estar em Bruxelas, conhecer os corredores e as pessoas, e saber antecipar as tendências.
Actuamos como a ponte entre as lacunas do decisor europeu – chamado a legislar sobre temas muitas vezes fora da sua área de conhecimento, ou particularmente técnicas – e as preocupações reais do dia-a-dia das empresas. O trabalho passa, em primeiro lugar, pela leitura “empresarial” das propostas legislativas, pelo conhecimento antecipado das tendências políticas em jogo em cada processo, e pela utilização inteligente do networking europeu.


Como é que acha que a opinião pública portuguesa e, em especial, o tecido empresarial português vêem a actividade do lobbying?
O Terreiro do Paço já não está à beira Tejo, está cada vez mais em Bruxelas, onde cerca de 70% da legislação que temos de incorporar nacionalmente é decidida.
As empresas portuguesas estão cada vez mais conscientes que a legislação que as condiciona é decidida em Bruxelas e sabem também que existem excelentes oportunidades de promoção e financiamento das suas actividades. No entanto, como os resultados desta presença não são imediatos é, por vezes, difícil antever esses benefícios à partida. É portanto necessário um trabalho contínuo de sensibilização das empresas nacionais, nomeadamente assinalando-lhes os bons exemplos já existentes em Portugal.

 

Os empresários portugueses têm consciência do modo como a tomada de decisões em Bruxelas pode afectar a actividade económica de uma empresa?
Essa tomada de consciência é cada vez maior mas ainda está aquém do que se passa noutros estados-membro. É necessário um trabalho contínuo e persistente de sensibilização dos agentes económicos nacionais para estarem atentos aos desenvolvimentos legislativos e às oportunidades de financiamento.


O novo programa Horizonte 2020 disponibiliza 80 mil milhões de euros para as áreas da investigação, inovação e concepção de novos produtos. Comparativamente com os outros países, as empresas portuguesas têm sabido explorar as oportunidades de financiamento da União Europeia?
O H2020 é um programa que compreenderá o período 2014-2020, pelo que não podemos ainda fazer essa comparação. No entanto, nos programas anteriores (FP7, CIP e Instituto Europeu de Investigação e Inovação) essa fraca participação foi uma realidade. A título de exemplo, entre 2007-2012 Portugal contou com 1747 propostas financiadas num total de 373,3 milhões de euros. No mesmo período, só a região de Cambridge, no Reino Unido, teve 570 projectos financiados com um valor global de 400,66 milhões de euros.

Ser Associado da Câmara de Comércio significa fazer parte de uma instituição que foi pioneira do associativismo em Portugal.

 

Os nossos Associados dispõem do acesso, em exclusividade, a um conjunto de ferramentas facilitadoras da gestão e organização das respectivas empresas.