Ambiente de negócios e investimento em 2017

No seguimento do Brexit na Europa e da eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, 2017 deverá ser marcado por actos eleitorais cuja incerteza dos resultados, aliada a outros factores de indefinição quanto às políticas que se seguirão, vai certamente contribuir para o crescimento de situações de volatilidade em todo mundo, com as necessárias repercussões nas relações económicas e comerciais entre os países.

 

O conhecimento das grandes tendências políticas e macroeconómicas que se avizinham e dos riscos com que os mercados se deparam é, por isso, crucial na concepção de estratégias para internacionalizar e investir.

 

Em matéria de investimento, parecem ser três os grandes temas que vão ditar as negociações nos mercados:

1) as políticas monetárias, económicas e comerciais da nova administração norte-americana, hoje marcada por um certo isolacionismo;

2) a divergência monetária entre o Banco Central Europeu e a Reserva Federal dos Estados Unidos, que deverão seguir políticas monetárias com rumos distintos ao longo do ano;

3) os já referidos eventos políticos que deverão continuar a gerar ansiedade entre os investidores. A incerteza política deverá ajudar à agitação dos mercados nos próximos 12 meses. Tendências populistas podem contribuir para algumas situações de volatilidade.

 

No plano macroeconómico, depois dos últimos anos terem sido marcados por um baixo crescimento, aliado a taxas de inflação próximas de zero e, em alguns casos, taxas negativas, o novo ano deverá trazer um período de reflação e retoma económica, ainda que moderada. As expectativas do mercado vão no sentido de mais inflação e crescimento à boleia dos estímulos orçamentais dos EUA.

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Especialistas apontam para um crescimento mundial na ordem dos 3,6%, com os mercados emergentes a apresentarem maior potencial (4,7%) face aos mercados desenvolvidos (2%). Neste contexto, o foco vai para a Índia, cuja economia deverá reforçar o crescimento registado em 2016, podendo atingir uma taxa de crescimento de 7,4%. Apesar de um ligeiro abrandamento, a China poderá crescer a um ritmo de 6,4%. Mas o país enfrenta riscos, fruto de vulnerabilidades internas da sua economia e de factores externos como as políticas comerciais da administração Trump e o risco de uma guerra comercial com Washington, cenário que, a verificar-se, trará consequências para todo o sistema internacional.

Ainda no plano das economias emergentes, as empresas portuguesas deverão dar especial atenção aos mercados da América Latina. Lentamente, o Brasil deverá começar a sair da recessão, ainda que com algumas limitações. O risco político que o país ainda apresenta deverá ser equacionado. Na Argentina, a economia deverá também dar sinais de alguma vitalidade, o que deverá começar a traduzir-se em mais oportunidades de negócio. O grande potencial surge em mercados como o Peru, o Panamá e a Colômbia, actualmente mercados estratégicos favoráveis e de elevado potencial para as empresas portuguesas.

Num ano em que as nossas empresas esperam um aumento nominal das exportações de bens em 5,3%, o que representará uma subida de 1,3% face a 2016, estes mercados extra-UE deverão ser a sua principal aposta. As expectativas de crescimento das nossas exportações para estes mercados rondam os 9%.

 

Para além dos produtos tradicionalmente exportados, as empresas portuguesas deverão estar atentas a oportunidades relevantes no mundo das novas tecnologias. Aqui, os destaques vão para os domínios da realidade virtual – quer na vertente da exportação de investigação, quer na vertente de venda de equipamento e aplicações – da inteligência artificial – mercado em crescente ascensão – do comércio electrónico e da indústria EdTech.

As energias renováveis são uma das outras áreas que possibilitam a criação de novos negócios a cada ano que passa. Não apenas pelas descobertas que vão sendo feitas, como pela cada vez maior sensibilidade dos consumidores – e dos governos – para a temática da poluição e crescimento sustentável. Em diversas cidades e países há alterações em curso em matéria de planeamento urbano, transportes, utensílios domésticos etc. que oferecem oportunidades de negócio.

A indústria dos drones apresenta também oportunidades a explorar, principalmente se aplicada ao comércio, serviços de distribuição e entrega.

De salientar ainda nichos de oportunidades no sector agrícola, nomeadamente na área da alimentação saudável. Existe potencial de crescimento no mercado dos sumos e compotas caseiras, dos cogumelos, dos frutos secos e produtos gourmet.

 

Ser Associado da Câmara de Comércio significa fazer parte de uma instituição que foi pioneira do associativismo em Portugal.

 

Os nossos Associados dispõem do acesso, em exclusividade, a um conjunto de ferramentas facilitadoras da gestão e organização das respectivas empresas.