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Artigo de Bruno Bobone, Presidente da CCIP, na sua rúbrica semanal no Diário de Notícias.

A grande arma do ditador é o medo que consegue infligir na população que, por lhe faltar a coragem, aceita sem reclamar tudo aquilo que lhe é imposto.

E nós devíamos saber disto. Com tudo o que fizemos para manter vivo o monstro da ditadura - que nos foi condicionando em quase todas as decisões políticas da vida nacional durante os últimos 47 anos, sempre falando do grande mal da censura e do clima de terror da polícia política - não se compreende como esquecemos que foi a coragem de alguns que permitiu sempre fazer de Portugal um país que serve os seus cidadãos.

Ao longo daqueles mesmos 47 anos fomos assistindo a uma diminuição da valentia de quem nos liderava, sempre motivados por ideais de liberdade e de desenvolvimento, tornando esses mesmos valores numa mera moeda de troca para mantermos o comodismo das nossas vidas.

Eis senão quando, chega a pandemia e apanha-nos num momento de marasmo e de torpor que apenas nos permite aceitar comprometer a nossa liberdade, já bastante toldada, para que não fôssemos tão prejudicados pelo vírus com que nos confrontámos.

Na verdade, aceitámos de tudo. Desde a ideia de que podemos ficar em casa sem nos preocuparmos com a sobrevivência dos outros, à decisão de matar algumas atividades porque ninguém se querer dar ao trabalho de pensar como poderiam continuar com as condições mínimas que lhes assegurassem qualidade e segurança.

Mas já tínhamos antes percorrido algum deste caminho ao admitir uma nova forma de censura que nos é imposta por alguns partidos de esquerda, que não nos deixam dizer aquilo que pensamos, exigindo que tenhamos apenas uma opinião sobre qualquer tema que seja discutido. Os mesmos partidos que defendem a todo o custo a igualdade das mulheres e que defendem ao êxtase a prevalência da cultura muçulmana sobre a cristã, onde esses valores são inexistentes.

Partidos que são a favor do aborto e da eutanásia, mas que se revoltam se alguém tentar matar um animal por estar a sofrer. Partidos que dizem defender a democracia, mas não têm uma palavra para condenar a sua falta em Cuba. Que nos querem impor a ideia de que estamos num país essencialmente racista, quando foi sempre reconhecida a cultura de miscigenação que o país sempre promoveu e que os portugueses sempre praticaram. Um povo que tem na sua quase totalidade sangue judeu e muçulmano e em muita da sua população sangue indiano e africano, para além de sangue cigano. Um país com um primeiro-ministro de origem indiana, uma ministra da justiça angolana e ministros de diferentes origens raciais.

Partidos e militantes que se reveem em dirigentes que vão à televisão para uma entrevista e que pura e simplesmente se focam em atacar agressivamente o seu entrevistador por ter uma opinião diferente da sua - que será naturalmente a verdade absoluta - como aconteceu nesta semana com o ministro Pedro Nuno Santos. Atitude de falta de educação que ele próprio reconheceu...

Atitudes totalitaristas que nos deixam sempre com a sensação de que a proposta desta esquerda é uma mera destruição de valores, pela exclusiva vontade de ser disruptivo, não sabendo sequer como propor uma nova forma de sociedade.

Um verdadeiro fascismo da esquerda que tem o condão de despertar naqueles que nele não se reveem uma vontade de criar o oposto político, que acabará sempre por ser a proposta de uma ditadura da direita.

Ser livre é a maior felicidade que temos e o valor mais importante para o nosso desenvolvimento como pessoas.

Não podemos ter medo: unidos lutemos para evitar acabar em ditadura.

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