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Fazer Bolo de Chocolate: ser artista ou seguir a receita?

Nadim Habib partilhou com a audiência: “Eu não sei cozinhar, mas a minha mulher comprou uma bimby e eu já sei fazer bolo de chocolate”. Quando serve esse bolo aos seus amigos dizem-lhe que não foi ele que o fez, mas sim a bimby. Ao que lhes responde “querem um bom bolo de chocolate ou preferem que eu invente e tente ser artista?”. Nadim acredita que se o for, 9 em cada 10 vão correr mal, mas se seguir a receita, corre sempre bem. Estamos a falar de um bolo de chocolate, embora o professor da Nova SBE considere que na gestão de uma empresa, a situação é a mesma.

Existem receitas muito claras para gerir bem as empresas.

 

O contexto pandémico em que vivemos há mais de um ano trouxe muitas mudanças. No entanto, muitos gestores continuam a tratar a pandemia como uma exceção e que, “quando tudo passar”, voltamos ao ponto de partida e que iremos regressar “àquele normal”. Mas na realidade não será assim!

A economia e a nossa forma de trabalhar mudaram de forma permanente e, se continuarmos a encarar esta mudança como uma exceção ou uma situação temporária, enfrentamos um problema. Como alertou Nadim Habib, no passado dia 23 de abril, perante uma audiência online de mais de 150 gestores, “se persistirmos nesta visão, é certo que chegará o dia em que não conseguiremos acompanhar o ritmo e será o fim.” Temos de repensar a nossa forma de trabalhar e voltar a ganhar rentabilidade e crescimento!

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Na sua intervenção, no âmbito do webinar dedicado à jornada de profissionalização de um gestor de PME, Nadim referiu que, já em 2019, estávamos a ter “sinais” de que as coisas não eram sustentáveis e que era preciso mudar. Mudar o quê? Na sua perspetiva, os gestores destacavam duas áreas: a organização e o planeamento.

Sobre a organização afirmou que “organizamos para controlar”, mas que há uma grande diferença entre organização e controle. Por exemplo “a simples marcação de férias pode dar a noção de que estamos a organizar quando as pessoas marcam as suas férias, mas isto não é organização, é controlo. É alguém a controlar que todas as pessoas têm as férias marcadas. E isto é muito diferente daquilo que começamos a encontrar em empresas novas, pequenas e grandes, que estão a dizer aos seus funcionários que não há limite de férias, tirem os dias que quiserem, mas preocupem-se em garantir que todos os elementos da equipa estão coordenados.” Isto é uma forma diferente de organizar e que traz resultados mais interessantes.

Relativamente ao planeamento, os gestores referem que têm de planear melhor, mas na realidade, mesmo quando o conseguimos fazer podemos não conseguir cumprir com o que planeámos, porque o mundo muda e o mundo mudou. E o planeamento também tem necessariamente de mudar.

 

Quando pensamos numa empresa devemos ter presente que é necessário repensar a forma de organizar e de planear, e isto não se faz por instinto, existem receitas. Nadim salientou que é preciso “gerir bem como uma ciência e não como uma arte”, mas gerir com ciência implica conhecimento e seguir a receita!

 

“Há pessoas que pensam que gerir é uma arte, no sentido de que qualquer pessoa o pode fazer, e isto é um problema por dois motivos. Pois a arte é altamente subjetiva e uma empresa não é subjetiva, os lucros são muito objetivos, há crescimento ou não há crescimento, tenho clientes satisfeitos, ou não tenho clientes satisfeitos, tenho pessoas que querem trabalhar comigo ou não tenho, e isto não é arte, é ciência!”.

 

Todos nós conhecemos empresas de sucesso e com bons desempenhos. Isso acontece porque implementam práticas de gestão com rigor e ciência e que trabalham essa gestão com muita disciplina. Não é muito relevante se gerimos uma empresa porque queremos deixar um legado para a família, ou porque queremos ter rendimentos no final do mês ou porque queremos mudar o mundo. O que mais importa é “que devemos perceber que para gerir uma empresa é preciso ciência, rigor e disciplina”.

E essa ciência pode ser encontrada num programa de gestão, que tem que incutir, necessariamente, três coisas nas pessoas:

  • A teoria que é a base da ciência e que serve para começarmos a trabalhar;
  • A discussão e o debate que envolvem a teoria e que serve para nos adaptarmos a cada realidade;
  • Realidade individual, pois cada pessoa deve levar as duas ideias anteriores para o seu dia-a-dia, interiorizá-las e adaptá-las.

Desta forma, quando abordamos a gestão de um ponto de vista científico e a gerimos dessa forma, no prazo de 3 a 6 meses é possível ter melhores resultados.

Começamos a ter uma empresa que funciona bem, sem grande intervenção do seu gestor ou fundador, e que lhe permitirá começar a planear os próximos 6 a 24 meses, sem estar preocupado em “apagar fogos”.

Em síntese, quando gerimos uma organização e queremos construir rentabilidade daqui para a frente, devemos ter:

1. Uma visão clara e estratégica sobre a maneira de funcionar;
2. Disciplina para implementar as coisas, mesmo que sem resultados imediatos, e
3. Refletir em como queremos desenhar a empresa para daqui a 6, 12 ou 24 meses.

Nadim Habib termina a sua exposição com um conselho “abordem a gestão como ciência”, “estudem a gestão como deve ser, implementem os procedimentos e práticas gradualmente e, um dia, ao acordarem, de repente, vão ver que têm mais sucesso”.

 

Nadim Habib

Mestre em Economia pela London School of Economics e um comunicador nato. Consultor internacional nas áreas de estratégia, inovação e criatividade, sendo frequentemente convidado como orador. Com uma vasta experiência internacional de gestão, é professor assistente na Nova-SBE e no Curso Executivo da CCIP, onde leciona o módulo dedicado à Agilidade Organizacional.

 

Saiba mais sobre a 2ª edição do curso executivo da CCIP/Nova-SBE.

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