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Artigo de Bruno Bobone, Presidente da CCIP, na sua rúbrica semanal no Diário de Notícias.

Ao longo dos últimos anos o Papa Francisco tem-se referido à atividade económica como uma nobre vocação. E é nobre porque é capaz de criar riqueza, de criar emprego e de contribuir para o desenvolvimento económico das sociedades.

São os empresários que receberam essa vocação quem tem a responsabilidade de a pôr em prática e de conseguir cumprir as expectativas de desenvolvimento de uma comunidade.

A vocação não é em si mesma um mérito de quem a recebe. É um dom e como tal não é conquistado. O mérito total do empresário que arriscou é a aplicação prática dessa vocação, através do trabalho e do risco assumido em cada investimento.

É esse ato responsável de pôr a render os seus talentos que lhe atribui a nobreza da sua circunstância. É aí que o empresário se pode assumir como detentor de uma vocação nobre.

Ser nobre é sempre sinónimo de qualidades especiais. Representa alguém que se distingue dos seus pares por possuir capacidades diferentes da maioria e que lhe permite acesso a responsabilidades na direção de uma comunidade.

Mas ser nobre é ter a responsabilidade de entregar os resultados dessa nobreza, das suas capacidades diferentes e das suas competências superiores. É ter como missão contribuir para que aqueles que dirige sejam tratados com humanidade e que tenham uma vida digna e um desenvolvimento constante.

Ora, nas empresas, a vocação nobre tem obrigação de ser aplicada naquilo que é o seu objetivo: criar riqueza. Mas tem de criar riqueza de forma que não ponha em causa a dignidade da pessoa humana nem a sociedade em que se insere ou a natureza que a rodeia. Tem de criar riqueza com respeito.

Mas tem também de ter em atenção qual será o destino dessa riqueza e a vocação nobre do empresário. Isso implica que a riqueza criada se destine a cuidar daqueles que colaboraram para criação dessa mesma riqueza, de uma forma justa e digna.

Estamos a viver a Semana Santa, na preparação da Páscoa, um tempo de meditação e de preparação e arrependimento. Em Portugal, país em que 80% da população se considera católica, seria um bom momento para que empresários e dirigentes da sociedade utilizassem este tempo para compreender o que temos de fazer para conseguir criar bom trabalho, bons produtos e boa riqueza no dia-a-dia das empresas.

Mas também para compreender como podemos assegurar que essa boa riqueza criada pelas empresas seja distribuída de forma a tornar a vida de todos mais digna e condigna com a convicção que, como católicos, devemos ter da função de cada um de nós no mundo e que é de amar o próximo como a si mesmo.

Gostaria de desafiar todos os portugueses, católicos e não católicos, empresários e trabalhadores, ricos e pobres, a aproveitar este tempo de reflexão - para uns motivado pela vivência da Quaresma e para outros resultante da violência do confinamento - para nos darmos conta de tudo o que foi falado neste ano de pandemia sobre a solidariedade e sobre a heroicidade de ajudar os que mais necessitam, para que possamos, em conjunto, mudar a estrutura da nossa sociedade deixando de estar divididos e passando a estar solidários, garantindo que partilhamos de uma forma mais justa e que nos unimos verdadeiramente para produzir maior riqueza e para termos mais para distribuir.

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