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Artigo de Bruno Bobone, Presidente da CCIP, na sua rúbrica semanal no Diário de Notícias.

Na reunião da concertação social da passada semana, Francisco Assis tentou santificar-se salvando o mundo das injustiças e das desigualdades.

Apresentou um documento com o título: "Manual de linguagem neutra".

É a entronização do politicamente correto em que tudo se pretende e não se pretende nada.

Como se alguma coisa mudasse por se mudar os termos que se utilizam para os definir e como se alguém deixasse de estar marginalizado ou maltratado por lhe mudarem o nome ou o adjetivo.

A mudança que se procura, e que é essencial, é uma mudança cultural de verdadeiro respeito e de atenção a cada um. Uma cultura integradora e inclusiva que veja em cada um as suas virtudes e que as estimule e valorize.

Mas, claro, isto dá muito trabalho.

É preciso educar, cuidar, responsabilizar, solidarizar e acima de tudo tolerar e confiar. Tudo o contrário daquilo que defendem os atuais donos da nova verdade, que querem criar uma sociedade permissiva baseada no facilitismo, na desunião, no egoísmo e na desconfiança.

Assim, para que se pretenda que se faz de facto um trabalho no que respeita à integração e ao respeito por todos os membros da nossa sociedade, sem esse esforço que lhe é essencial, a alternativa simplista que nos é apresentada é a de criar um manual de comportamento, neste caso linguístico e, a partir deste, uma censura baseada na denúncia, para que se encontrem culpados e descansem as consciências sem que verdadeiramente nada tenha mudado.

Já assistimos muitas vezes a este tipo de caminho de fingimento que cria um embrulho para mudar o conteúdo. Passou-se exatamente a mesma coisa com a tentativa de criar transparência no setor económico.

Criaram-se uns quantos códigos, inventaram-se novas palavras, esqueceu-se a educação e acabámos cheios de governança nas empresas - e com bancos falidos por falta de respeito pelas normas básicas da confiança. Carregados de códigos de ética, mas sem qualquer pejo em roubar todos os acionistas e depositantes.

Não é por definir uma pessoa pela cor, pela raça ou por qualquer outra característica que se desrespeita um qualquer membro da sociedade em que vivemos. Todos eles se orgulham da sua raça e essa não será nunca a sua vergonha. É na educação, no respeito pelos outros e no amor ao próximo que poderemos ir buscar as bases de uma sociedade justa, inclusiva e respeitadora de cada um.

Dizer que alguém é de raça cigana ou de etnia cigana é exatamente a mesma coisa e não melhora em nada o respeito por um ser humano. Aquilo que melhora é saber que essa pessoa é uma pessoa e como tal merece todo o meu respeito, e isso não muda com o nome, mas sim com a educação.

Por essa lógica, acabarão por criar "etnistas" em vez de racistas, o que também resultará exatamente no mesmo desrespeito social.

Fica ainda também a incompetência do proposto no manual que quer transformar "gestores" em "população em cargos de gestão". Não se compreende se, por passar uma palavra masculina a uma frase feminina, passará a ser mais inclusiva. Porque não advogam antes uma "germanização" do português, criando o género neutro, ou a "britanização"da nossa língua, tratando tudo como neutro.

Ah, claro, isso daria imenso trabalho...

Do que estou certíssimo é de que há racismo nos países que falam inglês e há também desigualdade em muitos desses países em que a língua nada ajudou!

O tempo que passamos a mudar os nomes às coisas é exatamente o tempo que não dedicamos a tratar dessas mesmas coisas.

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