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Artigo de Bruno Bobone, Presidente da CCIP, na sua rúbrica semanal no Diário de Notícias.

Depois de um ano de combate contra um inimigo comum em que assistimos e aplaudimos a dedicação e o espírito de entreajuda dos portugueses - e muito especialmente os médicos - colocando o bem dos outros acima dos interesses individuais, vale a pena analisar as decisões tomadas por alguns dos nossos governantes que chocam com aquele espírito.

Num momento em que estamos a fazer frente a um perigo exterior à comunidade e que ameaça toda uma população por igual, seria expectável uma posição de união e atitudes que reforçassem as nossas forças e nos permitissem assegurar a máxima eficácia.

Daí que me tenha espantado a atitude da ministra da Saúde que, desde março de 2020, nunca perdeu uma oportunidade para ostracizar os grupos hospitalares privados, de estabelecer claras diferenças de tratamento e, claro, sempre tentando justificar as suas atitudes atrás de pretensas incapacidades.

Hoje, em face da enorme exigência de meios que requereu a pandemia e em face da óbvia necessidade de contar com todos, dando o dito por não dito, acabou por reconhecer a excelente ajuda que aqueles operadores trouxeram ao trabalho de cuidar de todos os portugueses que não mereciam aquela discriminação.
Mas esta foi apenas a primeira das atitudes que vieram a ser tomadas no sentido da divisão entre portugueses.

A segunda foi a determinação de que apenas seriam sujeitos a vacinação prioritária os médicos ao serviço de hospitais públicos, em detrimento dos que trabalham em hospitais de gestão privada. Tal era a discriminação que, em pouco tempo, se solucionou o problema.

Depois foram as escolas. Fomos informados de que, no início do segundo confinamento, as escolas privadas estavam proibidas de oferecer aulas por meios digitais. O governo atuou em nome da igualdade, que sempre trouxe pobreza, porque na sua cabeça marxista o que conta é nivelar por baixo. Felizmente reverteu perante a pressão.

Mais recentemente, assistimos à fobia a privados no setor da aviação, num jogo impercetível comandado pelo número um ideológico do governo, o ministro que ninguém controla e que tudo pode.

Em todos estes casos, forçado pela opinião pública, veio o primeiro-ministro desdizer os seus ministros e alterar as decisões por eles tomadas, ainda que nunca a tempo de serem verdadeiramente inócuas.

Mas há um caso em que isso ainda não aconteceu: a absurda diferença de tratamento entre funcionários públicos e privados. Num momento em que o Estado teve de assumir a responsabilidade de solucionar o apoio a todos quantos sofreram de falta de trabalho resultante da pandemia, as pessoas afetadas sofreram uma redução significativa do seu rendimento e muitas receberam cerca de 60% do seu salário. No caso da função pública, ninguém perdeu rendimento e nem sequer foi afetado pela eliminação do subsídio de almoço.

Todos sabemos que gerir uma crise desta dimensão implica decisões muito corajosas e muitas vezes incompreendidas, mas decidir tratar com diferença e promover decisões ideológicas num momento de enorme dificuldade parece-me grave e injusto.

Para além de injusto, é destrutivo para a sociedade em que vivemos. Demonstra ainda a incompetência para o lugar dos governantes que promoveram aquelas medidas, por razão obscura e de interesse próprio.

É responsabilidade do governo garantir a sobrevivência de todos os portugueses. Compete-lhe tudo fazer para que todos sejam tratados igualmente e não aproveitar uma crise para fazer política, promovendo a divisão em vez da união e agravando o sofrimento das pessoas. Isto não é governar.

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