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Artigo de Bruno Bobone, Presidente da CCIP, na sua rúbrica semanal no Diário de Notícias.

O que se está a passar com os partidos da direita tradicional?

Temos assistido, nos últimos anos, a uma mudança na estrutura partidária da direita, com o reforço de forças mais radicais e a perda de influência dos partidos tradicionais, representantes de uma direita mais moderada.

Isto acontece porque a oferta partidária não tem estado a dar resposta às ansiedades do seu eleitorado, confirmando a separação - ou mesmo o divórcio - entre políticos e eleitores (pessoas, portanto).

Este é o momento em que aqueles partidos podem e devem mudar. Em que devem alterar a sua atuação e servir o seu eleitorado como ele quer ser
servido.

O resultado das eleições presidenciais é um sinal forte que teve como objetivo mostrar exatamente essa frustração. O processo é reversível, mas é preciso atuar já. Políticas claras, menos tramas internas feitas de conspirações e guerrilhas, um discurso mais objetivo: é isso que se pede. E não é pedir muito.

A direita tem de perceber que o politicamente correto, que resultou de uma falsa tentativa de manter a unidade dentro da democracia, permitiu a criação de um sistema de controlo sobre a vida dos portugueses, por parte dos partidos radicais de esquerda.

Esses partidos souberam utilizar a sua militância para introduzir uma atitude de censura baseada num novo moralismo para a sociedade portuguesa, criando uma enorme frustração aos eleitores de direita.

É preciso que a direita deixe de ter medo de defender aquilo que é a base das suas convicções para que possa voltar a ser o refúgio dos seus eleitores.

Por outro lado, o foco excessivo destes partidos e dos seus líderes no objetivo económico fez desaparecer do seu projeto político os restantes elementos fundamentais da vida e da sociedade.

Para lá de um combate reativo nos temas que a esquerda tem promovido, nunca a direita se propôs seriamente a tratar de temas sociais, culturais e políticos que se tornaram campo de ação da esquerda, mas que foram claramente elementos fundamentais para a eleição do Presidente da República que, sendo de direita, sempre se dedicou à causa social, cultural e política.

Por último, a direita tradicional precisa de criar espaços de intervenção que levem os seus apoiantes a voltarem a querer estar presentes em eventos de debate, em manifestações de posição pública sobre temas que os galvanizem e que lhes deem a esperança e a vontade de promover a mudança e de fazer parte dessa mudança. De deixarem de se sentir cansados e comodamente quietos e passarem sentir de novo que a sua voz importa, que é necessária e que será reconhecida.

Para tudo isto e como sempre, a direita precisa de um novo líder. Que aglutine a direita, que lhe dê uma nova razão de viver. Que diga a verdade e que não se esconda atrás de conceitos inventados pelo politicamente correto. Que esteja disponível para lutar por aquilo que são os seus valores.

Um líder que dê esperança e que defenda uma sociedade livre e verdadeira. Uma sociedade em que as pessoas são mais importantes do que as instituições, mas que tenha instituições fortes para as servirem.

Um líder que verdadeiramente se bata por Portugal.

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