opiniao-bruno-bobone-diario-de-noticias

Artigo de Bruno Bobone, Presidente da CCIP, na sua rúbrica semanal no Diário de Notícias.

Falar de causa própria em público exige um enorme rigor e uma humildade acrescida: vou tentar, mas, confesso que não sei se consigo, tão grande é o orgulho.

O Grupo Pinto Basto, a que estou ligado, comemora neste ano o seu 250.º aniversário. Em 1853, a partir de Londres, o Barão de Forrester escreveu em The Prize Essay on Portugal: "Os Ferreira Pinto Basto são uma família muito antiga e muito próspera (...). Cultivam o seu próprio milho, azeitona, fruta, lúpulo e legumes; criam os seus próprios cavalos, gado, ovelhas e porcos; produzem o seu próprio pão, vinho, manteiga, queijo e óleo, e refinam o seu próprio couro; constroem os seus próprios coches; são os arquitetos e construtores das suas vastas residências; são empreiteiros de obras públicas e, não raramente, de empréstimos governamentais também. Desde o Minho ao Algarve, possuem um conjunto de pousadas em propriedades suas, com uma distância entre elas de um dia de caminho."

Esta breve citação remete-nos para a descrição de um conglomerado de base familiar que tem resistido, com momentos piores e outros melhores, mas sempre com um sentido de responsabilidade e gosto pelo risco, numa busca permanente pela criação e pela partilha. Hoje o Grupo tem um perfil diferente, mas não mudou o essencial.

A empresa existe para criar riqueza. Mas o seu verdadeiro objetivo só se concretiza quando essa riqueza é distribuída por todos quantos nela e com ela trabalham. Em 2019, cerca de duzentos CEO das maiores corporações americanas lançaram uma declaração sobre o que deve ser o propósito da empresa, assumindo um compromisso para benefício dos chamados stakeholders - clientes, funcionários, fornecedores, comunidades e acionistas, e por essa ordem.

E o que defendem esses multimilionários?

Que os americanos merecem uma economia que permita a cada pessoa ter sucesso e levar uma vida com sentido e dignidade; - o mercado é o melhor meio para gerar bons empregos, uma economia forte e sustentável, inovação, um meio ambiente saudável e oportunidades para todos;

  • o investimento nos colaboradores, com uma compensação justa e formação adequadas, a promoção da diversidade e inclusão, dignidade e respeito;
  • o apoio às comunidades, protegendo o meio ambiente e adotando práticas sustentáveis;
  • a geração de valor de longo prazo para os acionistas, que fornecem o capital que permite às empresas investir, crescer e inovar.

Não deixa de ser extraordinário que sejam alguns dos homens mais bem pagos nos EUA a liderar a mudança sensata que se impõe ao capitalismo ocidental. E uma mudança que não deixa de ser um bom regresso aos princípios da gestão e da boa convivência humana.

A Pinto Basto, criada em 1771 por Domingos Ferreira Pinto Basto, adquire com o seu filho José uma dimensão e uma consolidação que permitiram a longevidade que a trouxe até aos dias de hoje.

O senhor Pinto Basto acreditava que ser empresário é ser criativo, trabalhador e inovador. Que a empresa é feita por pessoas que precisam de ser cuidadas e realizadas, que investe na instrução dos seus empregados, tanto técnica como social e cultural, criando creches nas suas empresas, promovendo clubes desportivos, orquestras e teatros para que possam ter acesso a maior educação e a viverem a vida com maior conhecimento e oportunidades.

Foi com esta visão que se desenvolveu a caminhada deste grupo familiar que chega a 2021 com um quarto de milénio de vida, sempre com a consciência de que é a pessoa que importa.

É uma visão que está longe de ser universal. Mas é a razão de a Pinto Basto ter conseguido aqui chegar.

Saiba como fazer parte da rede da Câmara de Comércio

 

Torne-se nosso associado

 

Apresentação Câmara de Comércio