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A Câmara de Comércio e Indústria de Portugal (CCIP) aposta em missões empresariais de promoção de indústrias portuguesas nos mercados internacionais. Em entrevista à PME Magazine, Pedro Magalhães, diretor de comércio internacional da CCIP, faz o balanço de 2020, um ano atípico para o crescimento e exportação das empresas portuguesas, e fala das expectativas para 2021.

Com missões nos Emirados Árabes Unidos e no Cazaquistão, a Câmara de Comércio e Indústria de Portugal (CCIP) entrou em 2020 a acompanhar empresas de vários setores e a fazer a ponte entre as agendas das indústrias nacionais e potenciais importadores, distribuidores, clientes finais e novos parceiros de negócio. Cada missão tem em vista a criação de uma nova relação laboral entre Portugal e um determinado mercado internacional, com a CCIP a organizar reuniões de negócios que respondam às necessidades individuais das empresas e à procura do mercado no qual pretendem entrar.

Pedro Magalhães, diretor de comércio internacional da CCIP, refere que todo o processo de internacionalização “envolve um trabalho prévio com as empresas para perceber em detalhe aquilo que elas procuram ao nível de contactos e aquilo que existe ao nível da oferta local, para haver um matching ideal”.

 

Ações virtuais para não parar o investimento

Com a chegada da pandemia e do confinamento, os serviços da CCIP foram forçosamente adaptados. De março a setembro, todas as ações de preparação de agendas e reuniões presenciais – que implicavam a deslocação aos mercados – foram suspensas, passando a acontecer de forma virtual. “Fizemos vários webinars sobre outros mercados, bootcamps sobre internacionalização totalmente online. Passámos tudo para o digital, para conseguir responder às necessidades das empresas que continuavam à procura de contactos a nível internacional, mas estavam impedidos de fazer as suas deslocações”, explica Pedro Magalhães. A partir de setembro, principalmente nos meses de novembro e dezembro, as missões presenciais foram retomadas, uma vez que as empresas acreditam ser este o modelo mais indicado para concretizar negócios e explorar novos mercados. “Sou um defensor das duas vertentes. Acho que é possível fazer algumas coisas de forma virtual, mas nada substitui o contacto físico com as pessoas”, comenta.

Para o responsável, “é impensável haver uma ligação contratual, ou uma relação que se crie com um cliente, se as coisas forem todas feitas de forma virtual”. O diretor salienta a falta de condições técnicas na maioria dos mercados e a importância do contacto pessoal e da visita às instalações locais para que seja criada uma “noção mais precisa daquilo que é o mercado e uma relação com um potencial cliente importador ou distribuidor”.

Pedro Magalhães mostra-se, no entanto, confiante de que a incerteza deixada pela pandemia transformou o pensamento das empresas que, embora não descartem totalmente o formato virtual, também pretendem recuperar na totalidade as missões presenciais.

“A alternativa virtual foi muito boa para o tempo que vivemos. Mas creio que o futuro e, pelo que tenho visto pelas empresas, muitas delas querem voltar a viajar, querem voltar presencialmente, e depois fazer um modelo híbrido – em vez de se deslocarem dez vezes por ano, passam a deslocar-se cinco, por exemplo”, explica.

 

Plano "ambicioso" para 2021

No que respeita a 2021, a CCIP pretende que as missões anteriormente realizadas de forma presencial em Portugal, na sua maioria em Lisboa, passem a ser virtuais e substituídas por seminários temáticos sobre os mercados, webinars, programas de export mentoring, entre outras iniciativas. Também prevista está a visita a Portugal de potenciais compradores, importadores, retalhistas e distribuidores internacionais, dos setores alimentar e de bebidas, têxtil e de vinhos.

“Tendo em conta as enormes incertezas que nos reserva 2021, preparámos um plano ambicioso e que procura responder às necessidades das empresas exportadoras nacionais, que pretendem alavancar os seus negócios a nível internacional”, refere Pedro Magalhães.

 

“As empresas estão muito esperançosas que todo o tema das vacinas e todas as impossibilidades de deslocação se levantem e que 2021 seja um ano de crescimento. Embora não seja um crescimento louco, será uma recuperação e um ano melhor do que 2020, seguramente”, destaca.

 

Quanto às 45 missões empresariais internacionais previstas, estas irão manter-se num registo misto – virtual e presencial –, sendo cada mês do ano associado a um mercado diferente. Planeados estão já janeiro, como o mês de África; em fevereiro será dado destaque ao Médio Oriente; em março à América Latina e em abril à zona da Eurásia. Os destinos escolhidos têm apresentado um crescimento económico significativo e, em missões anteriores, trouxeram bons resultados a empresas portu- guesas, como o caso do México, de Marrocos, da Rússia, da Costa do Marfim e da Coreia do Sul.

Será também dada continuidade aos seminários “Meet-the-Market”, desta vez em formato online e gratuito, que aprofundam a realidade económica e comercial de um determinado país, e às iniciativas online one-to-one, cujas sessões individuais e personalizadas juntam empresas e representantes locais dos diversos mercados.

A CCIP vai, ainda, promover ações de formação para a in- ternacionalização das empresas, assim como um serviço de consultoria individual e de mentoring para as indústrias portuguesas que pretendam iniciar a sua expansão nos mercados internacionais.

“Procuramos pegar em cada empresa e trabalhá-la de forma customizada”, afirma Pedro Magalhães, salientando ser esse o fator que marca a diferença, uma vez que “o foco é conseguir reuniões que deem negócio”. O processo de preparação de uma missão empresarial pode levar entre 30 e 45 dias, tempo em que a CCIP trabalha como intermediária entre o consultor local e a empresa cliente, “para garantir que o processo é uniforme”. Pedro Magalhães explica: “Focamo-nos em trazer às empresas uma agenda muito concreta, em que elas já sabem quem vão ver - as empresas portuguesas validam todas estas reuniões antes de se deslocarem ao mercado. É um trabalho que demora mês ou mês e meio a preparar, a juntar contactos, a empresa portuguesa valida e depois inicia-se o processo de marcação das reuniões”.

Uma missão empresarial internacional pode durar entre cinco e sete dias. No total, os custos de cada missão podem rondar entre os três e os quatro mil euros, incluindo as deslocações ao país de destino, alojamento, seguro e agendamento de reuniões. O responsável revela que a CCIP vai ainda lançar a quarta edição do Barómetro para a Internacionalização, um inquérito realizado a mais de 750 indústrias portuguesas que resume o “estado da arte das empresas sobre a internacionalização, as suas perspetivas para o futuro e sobre o impacto que teve a pandemia em 2020”.

Antecipando os resultados do inquérito, Pedro Magalhães afirma que, em 2020, o setor da metalomecânica foi o maior exportador a nível nacional, seguindo-se a indústria alimentar que, embora seja um setor sem índices elevados de exportação, tem vindo a aumentar o seu volume de negócios. Em terceiro lugar surge o setor dos vinhos, cujo consumo aumentou exponencialmente durante o período de confinamento, e o setor das tecnologias da informação. Por último surgem as empresas da área farmacêutica, têxtil e calçado, turismo, restauração e hotelaria, que sofreram reduções ao longo de 2020.

 

Entrevista a Pedro Magalhães à revista PME Magazine.

 

Texto por: Mafalda Marques e Maria Inês Jorge

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