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Artigo de Bruno Bobone, Presidente da CCIP, na sua rúbrica semana no Diário de Notícias.

Estamos a viver um tempo de dificuldades, preocupação e aflição. A pandemia chegou sem aviso e criou nas estruturas do nosso país uma tensão terrível. Ninguém tinha qualquer ideia de quais seriam os seus efeitos nem de como seria possível ultrapassá-los.

A primeira reação foi de união. Apesar de todos termos feito avaliações diferentes e de sermos diferentes na nossa forma de reagir aos acontecimentos, a população portuguesa compreendeu as decisões dos governantes e reagimos de uma forma ordeira e alinhada, que nos permitiu ter entre março e maio uma situação pandémica razoável.

As coisas foram evoluindo. Tivemos momentos melhores e piores, decisões mais prudentes ou mais arriscadas que resultam desta navegação à vista, em que temos de conciliar a vida, a saúde e a capacidade de dar às pessoas a possibilidade de ter para viver. E continuámos unidos.

É uma grande lição que precisamos de guardar dentro de nós, agora que se aproxima o tempo de começar a preparar a retoma da nossa vida. Temos de nos manter unidos e lutar por um bem maior que é Portugal.

Nesta nova fase em que devemos entrar brevemente, depois de passado o período de confinamento, para recuperarmos do Natal e do frio, vamos precisar de todos os recursos para podermos voltar ao crescimento que verificámos antes da pandemia, essencial para que todos os portugueses possam voltar a viver com normalidade e com uma nova esperança.

A solução para a pandemia resultou de um trabalho extraordinário realizado pela iniciativa privada. Empresas farmacêuticas, tantas vezes criticadas, conseguiram criar uma vacina num tempo recorde, o que foi acompanhado por um trabalho extraordinário do setor público, primeiro na aprovação e depois na vacinação das pessoas.

Foi um exemplo excecional de que as capacidades disponíveis são sempre mais eficientes quando cooperam do que quando se digladiam.

É este exemplo que é fundamental manter bem presente para que consigamos chegar aos objetivos que são essenciais para a retoma. Juntar esforços entre público e privado. Fazê-lo sem preconceitos ideológicos, sem a pequenez da divisão, mas com generosidade e sentido de responsabilidade. Colocar o bem comum em primeiro lugar resulta em criar benefício para todos.

Outro exemplo que a vacina nos deixou foi a cooperação entre pessoas de diferentes origens e realidades que nos trouxeram a solução da nossa sobrevivência. Provou-se uma vez mais que não há superiores nem inferiores. Somos todos pessoas e pertencemos uns aos outros.

Vivemos num tempo de cooperação entre países. É um tempo de sociedades abertas que usufruem das potencialidades que chegam de fora, de multilateralismo e de tolerância, mais uma vez, o caso da vacina da BioNtech é paradigmático neste aspeto, criada por um casal de imigrantes turcos na Alemanha. Ainda que haja quem queira pôr tudo isto em causa, não há qualquer dúvida de que foi esta a receita que permitiu que o mundo conhecesse o seu período de maior expansão e desenvolvimento.

Não se pode defender um mundo aberto e multilateral e, dentro de casa, cerrar fileiras em detrimento do outro, impedindo a cooperação entre todos. Se a receita resultou a nível global, resultará, certamente, cá dentro. Que público e privado se unam, cooperem, ajudando o país. A bola está do lado dos nossos governantes e políticos, uma vez que a população acabou de provar que é capaz.

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