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Artigo de Bruno Bobone, Presidente da CCIP, na sua rúbrica semana no Diário de Notícias.

Em maio de 2019, o Papa Francisco desafiou os jovens católicos a debaterem e a porem em prática "uma economia diferente, que faz viver e não mata, inclui e não exclui, humaniza e não desumaniza, cuida da criação e não a devasta. Um acontecimento que nos ajude a estar unidos, a conhecer-nos uns aos outros, e que nos leve a estabelecer um "pacto" para mudar a economia atual e atribuir uma alma à economia de amanhã".

Por toda a parte se começava a compreender que o modelo económico em que vivíamos estava a resultar em desvios exagerados que estavam a destruir a estabilidade das sociedades. E assistimos também ao crescimento de soluções populistas que medravam a grande velocidade.

O Papa, sempre preocupado com a centralidade da pessoa humana em tudo o que serve para estruturar a vida, compreendeu que era fundamental propor uma revolução no modelo económico mundial. No seguimento dos seus antecessores, decidiu apelar aos católicos para que participem ativamente na construção do futuro do mundo. Mas veio, mais ainda, desafiar os católicos a liderar essa mudança que considera absolutamente fundamental para que o mundo sirva a humanidade de uma forma mais justa, com os valores que servem aos homens e que cuidam verdadeiramente do seu desenvolvimento no caminho da felicidade. Uma mudança que se destina à humanidade e que deve ser realizada, não apenas por católicos, mas por todos.

E decide que só os jovens poderão liderar essa revolução, aproveitando o seu idealismo e a sua energia, criando as pontes necessárias com outras gerações, culturas e regiões.

Apesar disto o mundo duvidou. Como poderia um grupo de jovens em Assis (daí a economia de Francisco), promover uma mudança do modelo económico mundial, tão condicionado por interesses ligados ao modelo anterior? Era uma boa iniciativa, mas pouco mais do que uma boa ideia...

Eis senão quando, inesperadamente, o mundo é assolado por uma pandemia que coloca fechada em casa uma parte substancial da população mundial. De um momento para o outro tudo se põe em causa.

Rapidamente a pessoa passa à frente da economia. A preocupação sobre o próximo instala-se em cada um de nós. Usamos a máscara para proteger o outro. Aceitamos não satisfazer os nossos apetites e as nossas vontades para assegurar o bem comum.

E hoje, por todo o lado, ouvimos dizer que temos de aprender e manter o que aprendemos com a pandemia. Que podemos dar maior autonomia e flexibilidade aos que trabalham, que temos de criar condições para os que têm situações precárias, que cada pessoa vale mais do que a criação de riqueza.

É realmente uma oportunidade que não podemos desaproveitar. Temos de mudar o modelo económico para que as pessoas sejam o centro da preocupação. Temos de acreditar que se todos viverem melhor seremos mais produtivos e criaremos mais riqueza que nos trará mais bem-estar.

É verdade que não houve modelo económico no mundo que criasse tanta riqueza como aquele que se baseia na economia de mercado. Contudo, sem que haja uma preocupação social a criação da riqueza, por si só, cria situações de desequilíbrio na sociedade que a põem em causa. É preciso associar o social ao modelo da economia de mercado e criar a economia social de mercado. Há que garantir que se distribui a riqueza criada.

O Papa Francisco desafiou-nos a fazer aquilo que parecia improvável. Em 2020 veio uma pandemia que torna possível e desejável essa mudança!

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