felicidade-no-trabalho

Calma! Não saia já da página. Dê-me 10 linhas de tolerância e logo decide se vale a pena ler até ao fim.

Muitas vezes pergunto-me, porque é que existe tanto preconceito associado à palavra “felicidade” no mundo das organizações. Adoramos dizer que queremos ser felizes, mas depois temos vergonha de dizer que queremos ser felizes a trabalhar.

 

Se nos perguntam qual é o nosso maior desejo para os nossos filhos, sobrinhos ou filhos de amigos, invariavelmente respondemos “que sejam felizes” (fiz esta experiência, nada científica, com os meus contactos e o resultado foi esclarecedor, em 38 pessoas que responderam, só duas não falaram em felicidade).

 

Se nos perguntam os nossos desejos para o nosso futuro, a resposta vai variar entre ter saúde, um bom trabalho, dinheiro…

 

Desconstruindo esta afirmação:

- Se queremos ter dinheiro, temos de trabalhar (salvo raras excepções). Ora, se temos mesmo que trabalhar, não é melhor que o façamos felizes?

- Se queremos ter saúde, temos de cuidar de nós e, para além de toda a parte da nutrição e exercício físico, é essencial cuidarmos da nossa saúde mental. De acordo com o Mental Health Work Report de 2017, 3 em cada 5 trabalhadores experienciam problemas de saúde psicológica devido ao trabalho. Para além da saúde mental, sabemos que o stress aumenta a tensão arterial, pode causar taquicardia e até, alterar os níveis de colesterol. Conclusão: ser infeliz ou viver sob stress, no trabalho ou em qualquer dimensão da nossa vida, prejudica gravemente a saúde.

- Se queremos ser felizes… temos que fazer por isso. A felicidade é um estado mental, que podemos trabalhar e treinar. Este estado mental, “ajuda-nos a produzir uma maior energia, para desenvolvermos o nosso talento, as nossas capacidades e a nossa saúde” (Dra. Paloma Fuentes).

 

Temos mesmo que começar a olhar para a Felicidade no Trabalho como um assunto sério. As organizações são feitas de pessoas e, as pessoas, são pessoas, dentro e fora do trabalho. É importante dotá-las de ferramentas para que sejam capazes de ter maior resistência e melhor resposta nos momentos complicados da vida.

- Mas as organizações têm de fazer as pessoas felizes?
- “Nim”.

 

A felicidade é uma decisão individual, cada um é responsável pela sua própria felicidade e, se uma pessoa não “quer” ser feliz, nada do que a organização possa fazer, vai resultar.
O que as organizações têm de fazer, é criar condições para que as pessoas lá possam ser felizes a trabalhar.

 

Como?

Tudo começa com o recrutamento. O colaborador certo, para o trabalho e para a empresa. Nos processos de selecção, é imperativo que, para além das competências técnicas, se avaliem as competências sociais e se pondere se aquela pessoa se vai integrar/adequar à cultura da empresa. É fundamental fazer um bom acolhimento, assim como, um acompanhamento regular do colaborador durante todo o seu percurso na organização (saber se continua a sentir-se desafiado pela função, se considera que as suas competências estão a ser completamente aproveitadas…).

 

O “Empoderamento” e autonomia. As pessoas poderem tomar decisões sozinhas ou com a mínima intervenção da Liderança. Ajuda a desenvolver o sentido crítico, aumenta os índices de confiança. Pedir feedbacks e opiniões com regularidade, vai fazer com que as pessoas se sintam valorizadas e motivadas.

Agradecer e elogiar. Quantas oportunidades perdemos para o fazer. Ok, as pessoas estão ali para trabalhar. Mas se fazem algo bem feito, porque não havemos de agradecer e elogiar? O reconhecimento por parte dos managers, colegas ou clientes, aumenta a motivação e a autoestima.

 

Propósito. Ter um trabalho interessante e com significado. Todos conhecemos a frase de Confúcio “Escolhe um trabalho que gostes e não terás que trabalhar um dia na tua vida.”
É essencial, partilhar a visão da empresa aos colaboradores. A comunicação é um dos factores mais importantes. Passar as mensagens com transparência e garantir que são percebidas.

 

Sentido de justiça. “Um pequeno sentimento de injustiça, real ou percebido é suficiente para tornar um trabalhador feliz e satisfeito, num cético em relação à empresa.” (Nic Marks)
Tem que haver transparência nos processos e na tomada de decisão. As políticas salariais, de progressão e atribuição de projectos devem ser claras. Todos devem saber o que precisam fazer para poderem ser promovidos ou aumentados.

 

Relacionamentos positivos. Os bons relacionamentos no trabalho vão manter as equipas unidas em situações de incerteza ou mudança. Quem gosta de passar um dia inteiro rodeado de pessoas que não se suportam? Então e 5 dias por semana? É insustentável. Fomentar a entreajuda, a empatia, a gratidão e a bondade, vai contribuir para reforçar os relacionamentos o que se refletirá nos comportamentos das pessoas.

 

Estes 6 pontos são fundamentais, mas há algo igualmente importante. O Top Management tem de estar envolvido e empenhado, para que haja uma cultura de felicidade corporativa. Sem o envolvimento e vontade do Top Management, vai ser quase impossível construir uma cultura de felicidade, pois esta tem de vir da “raiz”.

 

Afinal, a felicidade no trabalho, não é algo assim tão ingénuo, pois não? E até pode parecer senso comum, mas, como disse Voltaire: “O senso comum, não é assim tão comum.”

O melhor? É que está ao alcance de todos. Basta querer.

 

Autora:

Emilia-Silva

Emília Silva

Corporate Happiness Expert
Apaixonada pelas pessoas e pelo tema Felicidade no Trabalho.
Licenciada em Sociologia do Trabalho, pelo ISCSP – Universidade de Lisboa;
Pós-Graduada em Gestão e Estratégia Empresarial, pelo ISLA - Lisboa;
Certified Chief Happiness Officer, pela Woohoo Inc. – Copenhaga;
Partner da Woohoo Inc, desde Nov. de 2019;
Formadora certificada – Certificado de Competências Pedagógicas nº EDF 435790/2007 DL ;
12 anos de experiência em Gestão de Recursos Humanos, em Empresas como a Randstad, Kelly Services, Starbucks Coffee Portugal e Leroy Merlin;
Fundadora da H@W – Happiness at Work.

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