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Nunca, como hoje, a coesão social foi tão necessária. Estamo-nos a preparar para aquela que será, provavelmente, a crise das nossas vidas. As dificuldades geradas por esta pandemia vão ser enormes em todo o mundo. São muitos os obstáculos que políticos, empresas, empresários, trabalhadores e qualquer cidadão vão ter de enfrentar, sem que a responsabilidade possa ser atribuída a ninguém. Não podemos, de maneira nenhuma, acrescentar mais obstáculos a este enorme desafio por meros caprichos.

Por isso, a atitude face ao presente e ao futuro terá, necessariamente, de ser diferente daquela que foi no passado. Todos devem estar alinhados num mesmo objectivo. Isto deveria ser sempre assim. Mas torna-se ainda mais urgente num contexto de crise. Os sindicatos e patrões terão um papel preponderante. E é fundamental que tenham uma atitude construtiva perante as dificuldades que se avizinham.

Mais do que nunca, os trabalhadores vão precisar de um sindicalismo que os defenda, que os enquadre num contexto de colaboração e que promova a sua participação nas decisões fundamentais das empresas para as quais contribuem. Isto tem de ser feito em oposição à contínua estimulação das lutas sociais dentro das organizações, o que acaba por destruir o valor destas e minar as relações de confiança entre trabalhadores e administradores. Com isto sai prejudicada a produtividade e a evolução da empresa, o que, no final do dia, afecta toda a gente, especialmente num período de grande instabilidade como o que vivemos.

Temos exemplos práticos bem recentes de uma situação destas. Todos os portos do país conseguiram o feito notável de registar crescimento no meio deste autêntico caos. A única excepção foi o porto de Lisboa, onde um grupo minoritário de privilegiados se deu ao luxo de convocar uma greve na antecâmara da pandemia. Os resultados desta irresponsabilidade estão à vista: no primeiro trimestre, o porto de Lisboa caiu 21%. Este tipo de atitudes ganham um desfasamento maior quando, ao mesmo tempo, vemos milhares de pessoas que, pondo a sua saúde em risco, não olham a esforços para ajudar o país a ultrapassar esta grave crise sanitária e económica. Esses são os heróis desta pandemia e os exemplos que todos deveríamos seguir.

O mesmo se coloca no regresso às aulas. A coordenação com os professores e os seus sindicatos tem de ser total para que a abertura das escolas seja feita de forma organizada e célere. Os alunos têm de voltar às aulas para que os seus encarregados de educação possam ficar livres para ir trabalhar. Isso é essencial para reiniciar o motor económico.

Isto também deve ser feito para evitar que o foco do Governo e das pessoas em geral se desvie das escolas e passe para aqueles que podem, verdadeiramente, perder a vida com este vírus. Isto é, os idosos.

Não podemos ficar parados à espera de que este vírus desapareça. Foram já muitos os especialistas que explicaram que isso só acontecerá com uma vacina, cuja produção e distribuição em massa poderá levar muitos meses a estarem concluídas. Até lá devemos preocupar-nos seriamente em proteger os mais vulneráveis: os idosos da doença, e os mais pobres da destruição da economia.

 

Bruno BoboneAutor:

Bruno Bobone
Presidente da Câmara de Comércio e Indústria portuguesa

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