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As mensagens vão-se repetindo e é cada vez mais evidente aquilo que a Câmara de Comércio tem vindo a alertar desde o início da ultima década – a diversificação dos mercados de exportação deve ser uma prioridade para as empresas exportadoras nacionais.

A Europa continua, e continuará por muitos anos, a ser o principal mercado de destino das exportações de bens e serviços nacionais (cerca de 70% do valor total de exportações, segundo dados do INE). É “normal” que assim seja. A proximidade geográfica, a cada vez maior notoriedade dos bens e serviços portugueses e uma vantagem notória preço-qualidade são fatores ainda muito atrativos para os principais importadores europeus (Alemanha, Espanha, França e Reino Unido).

Mas a incerteza e as notícias de abrandamento económico do “velho continente” lançam alertas que merecem um olhar mais cuidado. Segundo dados da AICEP, a percentagem de empresas portuguesas que exportavam apenas para um mercado em 2018 era de 69%. Se pensarmos que a maior parte destas empresas exporta para a Europa, facilmente percebemos a fragilidade do nosso tecido empresarial exportador, no que concerne à dependência de um único mercado.

No entanto, o estudo Insight – um olhar sobre a internacionalização das PME - que a Câmara de Comércio realiza todos os anos, tem permitido também verificar que existe uma tendência crescente das empresas exportadoras em apostar em novos mercados. A percentagem de empresas inquiridas que entraram num novo mercado em 2018 era de 47% e que ponderavam entrar num novo mercado em 2019 era de 86%, incluída aqui a Europa. EUA, Brasil, México, EAU, China e Canadá foram os mercados fora da Europa que as empresas apontaram como novos mercados no seu radar. Isto é também demonstrativo que existe uma noção da necessidade em alargar novos destinos de exportação.

 

 

É também muito interessante analisar onde é que alguns mercados com forte predominância exportadora têm apostado nos últimos anos. Este benchmarking permite-nos perceber o que está a acontecer de tendências exportadoras, fazer comparações proporcionais e adequar as nossas estratégias. Espanha tem apostado muito na América Latina, sendo por exemplo o maior parceiro comercial do México, logo atrás dos EUA. Além disso têm crescido exponencialmente as empresas espanholas na Ásia, casos da Coreia do Sul, Japão, Tailândia e Vietname. Por outro lado, temos verificado muitas empresas Italianas a apostar nos mercados africanos, casos da Costa do Marfim, Etiópia, Senegal ou África do Sul.

A importância dos acordos de comércio livre é sem dúvida um factor a ter em conta na abordagem a novos mercados. Estes acordos permitem incentivar o comércio exterior e ampliar o acesso dos produtos nacionais a mais mercados internacionais. O principal objectivo é o fortalecimento das relações comerciais entre os signatários e garantir a livre circulação de mercadorias entre eles.

Os mais recentes acordos comerciais celebrados entre a União Europeia e a Coreia do Sul, o Canadá e o Japão, são exemplificativos dos benefícios e oportunidades que trazem para as empresas portuguesas.

Os empresários procuram rentabilidade e vão forçosamente atrás de clientes onde consigam obter maiores vantagens. Face às inúmeras transformações a que o comércio internacional está exposto nos dias de hoje – Brexit, terrorismo, protecionismo, vírus, tensões políticas, entre tantas outras – torna-se imprescindível assegurar uma continuidade e sustentabilidade mais ou menos estável para as nossas empresas. E a diversificação de mercados permite precisamente atenuar os impactos de uma situação menos positiva numa determinada região do globo.

 

Como é que apoiamos as empresas? 

A Câmara de Comércio tem vindo a organizar anualmente missões empresariais a diferentes regiões nos 5 continentes. Trata-se de missões feitas à medida das necessidades de cada empresa, com a preparação de agendas de contactos de qualidade que permitem às empresas reunirem com o perfil de importadores, distribuidores ou cliente final desejado. Temos felizmente conseguido resultados muito positivos para as empresas nacionais, que se traduzem numa contribuição expressa para o aumento das nossas exportações enquanto país.

 

Só em 2019 organizámos 14 missões empresariais, desde o México, à Costa do Marfim, passando pela Coreia do Sul e pela Rússia.

 

Continuaremos, em 2020, a ajudar as empresas portuguesas a entrar em mercados que permitam um aumento e uma maior diversificação das exportações nacionais, com um plano que contempla missões empresariais a mais de 15 diferentes mercados, com destaque para o Vietname, a África do Sul, o Cazaquistão, a Costa de Marfim, Marrocos, Brasil e o México, entre outros.

Convido-vos a consultar todas as nossas acções no Plano Internacional 2020.


Autor:

Pedro Magalhães
Director de Comércio Internacional
Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa

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