geoestrategia-no-mundo-paulo-portas

"Estamos a viver um mundo em que a imprevisibilidade pode prevalecer" afirmou Paulo Portas. Se nos anos de 2017 e 2018 o mundo era encarado com um certo optimismo, 2019 ficou marcado por um sentimento pessimista. Já em 2020, esperamos uma visão mais realista e equilibrada.

O vice-presidente da CCIP, foi uma vez mais o keynote speaker do evento dedicado à Geoestratégia do Mundo para 2020, um tema que já marca a agenda de iniciativas da Câmara de Comércio.

“O mundo é complexo, cheio de perplexidades, embora existam muitas economias estáveis e com potencial para oferecer oportunidades de negócios às empresas portuguesas. Só é necessário saber gerir este “superavit” de imprevisibilidade, ser flexível e encontrar essas oportunidades, coisa que os portugueses fazem muito bem e que sempre souberam fazer!” – referiu.

Para o vice-presidente da CCIP, houve alguns factores de imprevisibilidade em 2019 que foram superados:
- Relação comercial EUA/China teve uma trégua
- Brexit

 

Existem, no entanto, factores que irão permancer:

1. Emergência da Ásia – Responsável por 55% do crescimento da economia mundial. Há 20 anos, os EUA eram o 1º cliente da maioria dos países; hoje em dia é diferente, principalmente na América Latina e África onde a China tem a maior quota de mercado.

2. Despertar dos EUA para o seu novo “rival” – É a China que é uma superpotência económica e digital e não a Rússia. Houve uma mudança do “inimigo” e também uma mudança interna: ao americanos de origem latina e asiática vão ser a maioria da população.

3. Dificuldades da Europa/UE – Para vencer neste mundo terá de saber posicionar-se e lidar com os EUA e China e perceber qual o seu papel nesta relação. A Europa tem de deixar de olhar para o mundo apenas com olhos europeus.


NOTAS RÁPIDAS SOBRE QUESTÕS RELEVANTES PARA 2020 NA ÓPTICA DE PAULO PORTAS

EUA - Haverá ou não uma mudança política nos EUA? Ainda é muito cedo para dizer.

Deverá haver um acordo favorável com a China e a parceria com o México mantém-se. Este trava as migrações que vêm da América do Sul e já se tornou no 1º parceiro comercial dos EUA.

Depois seguem-se Canadá, China e Japão. EUA refizeram o acordo comercial bilateral com México e Canadá.

Quanto ao acordo comercial com a China, é um pouco heterodoxo porque foi negociado em 2 fases e sai fora das regras da OMC. O entendimento EUA/China veio para ficar, não é algo desta presidência, mas sim uma alteração estratégica face ao novo rival.

Está em aberto a possibilidade de um acordo comercial EUA/EU, que traria “respiração” a alguns sectores de actividade da Europa, nomeadamente à indústria automóvel alemã, o que seria vantajoso também para os restantes países da Europa.

 

CHINA – 2019 foi um ano difícil, nomeadamente por causa de Hong Kong.

No entanto, em 2020, vão alcançar o objectivo de serem uma “sociedade relativamente próspera”, tal como havia preconizado Deng XiaoPing. Têm um desafio pela frente, além de HK, que é Taiwan. O modelo chinês acaba por ser inspirador para diversos países, reunindo autoritarismo político com crescimento económico – Um país, dois sistemas.

 

UNIÃO EUROPEIA – A nova presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tem tomado algumas posições positivas

A 1ª visita que efectuou foi à União Africana; tem um proteccionismo de vanguardar no que diz respeito às questões energéticas e defende que há valores europeus. A Europa de Leste cresce acima dos 3%, chegando nalguns casos a 6% - Polónia, Hungria, Roménia, República Checa, países Bálticos. O mesmo se passa com os países nórdicos. “Confio mais na inovação das empresas do que na retórica política no que há transformação energética diz respeito”. Quanto a Espanha, tem um capitalismo muito forte, embora a capacidade de entendimento que sempre existiu entre diferentes partidos tenda a desaparecer. No entanto, a Europa recusa-se a encarar as seguintes problemáticas: problema demográfico, produtividade e o défice de competitividade fiscal (melhor IRC da Europa é o da Hungria, com 8%). Em 2016, a idade média dos europeus será de 49 anos e a dos portugueses de 55. “Se não endereçarmos esta questão rapidamente, com todos os impactos que ela tem, é porque não queremos ver”.

 

ÁFRICA – Este ano deverá ficar fechada a negociação do Acordo de Livre Comércio em África.

Isto é uma grande oportunidade para as empresas nacionais, porque só apenas 15% do comércio nesta região é entre países africanos. Moçambique pode voltar ao clube dos países que cresce mais de 5%. Angola, embora lutando com alguns problemas como é a inflação, poderá crescer se conseguir atrair investimento estrangeiro. Etiópia, Ruanda, Costa do Marfim, Quénia, Senegal, Botswana, Gana são os campeões do crescimento.

 

AMÉRICA LATINA – 2019 foi um ano de pesadelo para a maioria dos países, por isso, é natural que 2020 seja melhor.

A Venezuela decresceu 45% do PIB e teve um êxodo da população brutal. Só a Colômbia recebeu 1,7 milhoes de pessoas e estima-se que, no total, esse exôdo alcance os 8 milhões de pessoas. A Argentina continua em risco de default (já foi 8 vezes à falência). O Chile é a economia desta região com um rendimento per capita parecido com o da Europa (cerca de 25.000 USD). O Perú cresce muito independentemente da instabilidade política. O México e o Brasil deverão crescer mais do que no ano passado.

 

Outras notícias nos media:

Ásia e Pacífico definem "nova ordem económica" mundial

O oráculo de Paulo Portas para 2020 (sem Angola e CDS)

Saiba como fazer parte da rede da Câmara de Comércio

 

Torne-se nosso associado

 

Apresentação Câmara de Comércio