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“Portugal continua a lutar para contrariar os níveis de crescimento económico demasiado anémicos, mesmo nos melhores exercícios, incapazes de serem um amortecedor seguro para eventuais choques negativos no crescimento ou para uma subida das taxas de juro, que terão imediato impacto na estabilidade económica e financeira do país.”

 

O Presidente da CCIP, Bruno Bobone, escreveu recentemente um artigo dedicado à necessidade de posicionarmos Portugal como catalisador do desenvolvimento internacional. Se, por um lado, 2018 foi o ano mais fértil em captação de investimento directo estrangeiro, por outro lado a Comissão Europeia alertou que “permanecem riscos elevados” para a sustentabilidade das finanças públicas portuguesas no médio prazo.

 

A questão que se coloca é se não haverá alternativa para um pequeno país europeu periférico sem petróleo, ouro ou diamantes nos seus recursos naturais?

“É sabido que sim. Os discursos políticos estão repletos de referências elogiosas à nossa histórica capacidade de diálogo e de estabelecer consensos com povos de todas as latitudes, fruto de um percurso corajoso que nos permitiu, segundo o poeta, “dar novos mundos ao Mundo”, naquela que terá sido a grande operação pioneira da globalização.”

O relacionamento privilegiado com os povos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – CPLP coloca-nos numa posição de excelência para mediarmos e aprofundarmos as relações no vasto mercado lusófono. Também a capacidade de diálogo e de criação de consensos é uma característica reconhecida visível na escolha de vários portugueses para cargos de grande destaque a nível internacional como aconteceu recentemente com António Guterres na ONU, António Vitorino na Organização Internacional das Migrações, Mário Centeno no Eurogrupo, Carlos Moedas como comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação ou, antes disso, Durão Barroso na presidência da Comissão Europeia.

A par destas características, e provavelmente ainda mais importante, é o posicionamento geopolítico e a vocação atlântica de Portugal. “Somos um País periférico na Europa, mas central no Atlântico. A nossa História comprova que foram a dimensão marítima e a vocação atlântica que nos permitiram ultrapassar a limitação territorial europeia e ganhar escala enquanto potência marítima mundial.”

O Mar é um activo insubstituível para a internacionalização da economia portuguesa e para a captação de investimento estrangeiro.

 

Bruno Bobone lança então a pergunta: por que é que Portugal tarda em aproveitar as competências e factores distintivos para reforçar o seu papel no contexto das Nações e se afirmar como um verdadeiro pivot na economia internacional?

A resposta terá certamente a ver com a nossa proverbial dificuldade para planear, para passar das palavras eloquentes aos actos, quiçá assoberbados pela gestão quotidiana de uma crise persistente que nos mantém num modelo de desenvolvimento sem grande futuro, sempre à mercê de qualquer pequeno desequilíbrio internacional.

“Mobilizar os portugueses para a exploração das vantagens competitivas do nosso País é um imperativo urgente. É certo que não temos dimensão para assumir um papel de força na economia e comércio internacionais. No entanto, demitirmo-nos de procurar estar na linha da frente dos negócios do futuro só nos tornará mais periféricos, mais irrelevantes e mais dependentes das decisões tomadas por terceiros. O diagnóstico está feito há muito. Falta-nos elaborar um plano, traçar um caminho consensual para jogar os trunfos que temos.”

 

Veja o artigo completo no blog de Bruno Bobone

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