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No dia 18 de Junho, assinalámos os 184 anos da fundação da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP), instituição cuja história se confunde com o crescimento, desenvolvimento e internacionalização do tecido empresarial português.

A CCIP tem hoje mais de 1.000 empresas associadas por todo o país e uma rede de parceiros internacionais que conta com 42 Câmaras de Comércio Portuguesas, em 29 países. Somos uma iniciativa da sociedade civil, financiada exclusivamente por fundos privados. Esta é uma opção assumida por nós, que nos confere total independência e autonomia no desenvolvimento da nossa actividade e que reflecte os princípios em que acreditamos: São os empresários que têm que ser o factor de mudança e agentes do processo de desenvolvimento económico e não apenas meros beneficiários do mesmo.

Esta casa tem lançado o debate e apresentado propostas que visam provocar uma transformação positiva na sociedade e na economia, promovendo um melhor ambiente de negócios.

Neste contexto, gostaria de destacar quatro vectores que consideramos fundamentais para a melhoria do desempenho socioeconómico do país: a internacionalização, o salário digno; a justiça económica; e a economia do Mar.

O apoio à internacionalização tem sido um dos principais pilares de actuação e crescimento da Câmara, com resultados encorajadores que nos motivam para fazer cada vez mais. É um tema que continuará a ser um objectivo desta Câmara.

É convicção minha e desta Câmara que todos os portugueses devem receber um salário digno para que estejam motivados e empenhados no desenvolvimento do seu país. Os salários baixos nunca podem ser a base de sustentação de uma sociedade. Para estabelecer um salário digno que seja sustentável é necessário introduzir na equação o factor produtividade, sendo que esta tem que estar ligada à distribuição do rendimento. Todos e cada um de nós, trabalhadores e empresários, devemos lutar pelo estabelecimento efectivo de um salário digno. A Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa reafirma, hoje, o seu compromisso de contribuir positivamente para este desígnio.

O terceiro vector é o da justiça económica. Esta casa realizou um estudo cujas conclusões revelam o forte impacto do funcionamento da justiça no desenvolvimento económico. A complexidade do sistema e a sua falta de celeridade são apontados pelos empresários como os principais obstáculos ao investimento em Portugal.

Com a nossa acção pretendemos contribuir para a construção do Portugal de amanhã que ambicionamos mais próspero e sustentável.

Na persecução deste objectivo colectivo acreditamos que é preciso ver no mar, não apenas o nosso passado mas, sobretudo, o nosso futuro. Em 2009, a Câmara de Comércio levou a cabo o seu primeiro grande estudo, o “Hypercluster da Economia do Mar”, da autoria do Professor Ernâni Lopes, que avaliou o potencial da economia do mar, à época, em 20 mil milhões de euros. De referir que desde então a economia do Mar passou a estar na agenda política dos Governos. Portugal tem hoje um território com a dimensão de 1,7 milhões de quilómetros quadrados e com o reconhecimento da sua plataforma continental poderá atingir os 3,8 milhões de quilómetros quadrados, tornando-se num país maior que a Índia. Este é o momento de potenciar o mar enquanto factor de desenvolvimento socioeconómico e para dinamizar os nossos recursos marítimos e costeiros.

É neste contexto que Portugal aguarda, com expectativa, a sondagem de pesquisa de petróleo que se realizará ao largo da costa de Aljezur. A não realização desta sondagem de prospeção significaria que o país se ia dar ao luxo de ficar na ignorância relativamente a um recurso ainda tão importante para as nossas vidas e com um imenso valor económico. Como condição devemos assumir que o produto resultante da riqueza que possa vir a ser produzida por este recurso seja dirigida exclusivamente para duas linhas investimento: uma ligada com a renovação energética do nosso país; e outra para a investigação e desenvolvimento da economia do mar, este sim um factor de riqueza futuro que Portugal não pode perder.

Foi para nós uma honra receber o Presidente da República na nossa casa e ver reconhecidos todos os esforços que os empresários portugueses realizaram nos últimos anos. Muito obrigado, Senhor Presidente, pelo seu apoio e pelo seu empenho e trabalho incansável em prol de um Portugal melhor!


Bruno Bobone
Presidente da CCIP

Excerto do discurso de abertura do almoço de celebração do 184º aniversário da CCIP, que contou com a presença do Presidente da República Portuguesa, Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa.

 

Veja o discurso de Marcelo Rebelo de Sousa aqui.

 

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