Goestratégia noticia

No passado dia 20 de janeiro, na sede da CCIP, teve lugar o Pequeno Almoço “Geoestratégia do Mundo 2022”, iniciativa anual organizada pela Câmara de Comércio.

Paulo Portas apresentou as principais tendências e riscos económicos e políticos sobre o ano que agora começa nas várias geografias do globo, num evento muito participado.

Na base da intervenção esteve a convicção de que 2022 será um ano melhor do que 2021, tal como este foi melhor do que 2020, tanto do ponto de vista de saúde pública, como do ponto de vista económico. Na raiz desta afirmação está o facto de o mundo possuir, hoje, muito mais conhecimento sobre a pandemia da Covid-19 do que há um ano, o que faz o vice-presidente da CCIP acreditar que estamos mais perto de uma endemia do que da pandemia.

Criticando as teorias da conspiração que estão na origem dos negacionismos em relação às vacinas e à própria pandemia, e demonstrando com números os efeitos que estes movimentos têm nas economias nacionais, Paulo Portas destacou “a importância da aliança entre capital e ciência, investigação e indústria”.

O vice-presidente da CCIP chamou a atenção com particular ênfase para a evolução das taxas de inflação em todo o mundo, prevendo que, este ano, teremos “mais inflação do que estávamos habituados, o que vai ter consequências sobre as taxas de referência dos bancos centrais, o que vai reconvocar as questões das dívidas públicas, corporativas e familiares à escala global e nacional”. Ainda sobre este tema, Paulo Portas criticou que, a 10 dias das eleições legislativas em Portugal, este tema não tenha sido discutido no âmbito da campanha eleitoral.

Sobre a recuperação económica, destaca a impressionante evolução da economia irlandesa, que recuperou logo em 2020 os níveis registados em 2019, e a aplicação do Plano de Recuperação e Resiliência em Portugal que deveria ter “uma chaveta inversa daquela que tem: dois terços para o privado, um terço para modernizar a administração pública”. Em todo caso Paulo Portas recomendou que, seja qual for o resultado das eleições, Portugal não perca demasiado tempo em ‘revisões’ porque a reabertura do processo em Bruxelas seria sempre limitada e o tempo de execução é curto.

A situação nos Estados Unidos da América, o bloqueio político e legislativo e as tensões aí registadas mereceram também realce por parte de Paulo Portas, bem como a evolução do nacionalismo chinês e a questão de Taiwan; os extremismos ideológicos a ganhar terreno na América Latina; e o crescimento previsto com a entrada em vigor do acordo de comércio continental em África.

Por fim, referência às eleições em Angola, França e Hungria, que se realizarão este ano, e um aviso: crime e ciber. “Tratar bem as defesas a nível tecnológico”, pediu. “O crescimento dos resgates pagos tem aumentado de uma forma impressionante. O mundo tem que reconstruir defesas para esta nova forma de criminalidade”, afiançou.

"Há imensos problemas: sim. Há imensos riscos: alguns. Mas temos razões para confiar que teremos um ano melhor que o anterior".

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