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Artigo de Bruno Bobone, Presidente da CCIP, na sua rúbrica semanal no Diário de Notícias.

Estão lançados os dados para as próximas eleições. Rui Rio ganhou o direito a representar o PSD enquanto o Xicão não permitiu que fosse questionado como próximo candidato do CDS a governar Portugal.

Em face destas últimas decisões, o espectro político da direita está dividido entre quatro partidos com muitas posições coincidentes e com algumas questões que os dividem.

E não importa tanto explicar as razões da sua divisão, pois esta sempre existiu, mas recordar que durante anos acabou por se albergar, na sua maioria, no PSD e os restantes no CDS.

Contudo, pela performance destes dois partidos - que se deixaram envolver por um politicamente correto promovido e suportado pela censura imposta pelos partidos de esquerda e os seus pseudointelectuais, deixando de ser voz do descontentamento dos seus eleitores e de se baterem pelos valores que realmente caracterizam a direita - assistimos a uma dispersão do eleitorado por diferentes partidos que lhes apresentam a defesa dessas bandeiras de uma forma efetiva.

Mas, no fim das contas, nenhuma dessas alternativas que se apresentou acabou por recolher a votação suficiente para que possam ser verdadeiramente encaradas como potenciais soluções para que a direita passe a ter qualquer hipótese de voltar a chegar ao poder.

E este é de facto o único objetivo que importa, pois, sem estar no comando nunca será possível à direita mudar aquilo que hoje vê como sendo a destruição do país e da sociedade, que esta mesma direita contribuiu para criar e que quer ajudar a desenvolver.

Todos ouvimos os comentadores a dizer que essa oportunidade não é já possível para estas eleições e que a direita terá que passar por um período de mudança e refundação que lhe permita voltar a ser parte da corrida que leva ao governo.

E, de facto, se não houver hoje uma mudança sobre aquilo que são os diferentes discursos desta direita que se apresenta às eleições, assim será.

A direita vai para recauchutagem e vamos ver como e quando de lá sairá.

Mas não é preciso que seja assim. Pode haver já um pequeno milagre de mudança que, estou convencido, nos poderia levar a assistir a essa refundação.

Se Rui Rio se dispusesse a aliar-se com o CDS e com a Iniciativa Liberal e se mudasse o seu discurso de centro-esquerda para uma ideia de reeditar uma nova AD, com o entusiasmo de quem vai devolver a estes eleitores a esperança de uma nova vitória, de uma nova onda, de voltar a acreditar que é possível, então seria viável voltar a pensar que a direita podia passar a ser de novo uma grande alternativa.

Uma alternativa cheia de vida, com uma enorme confiança e com uma capacidade de fazer acreditar todos aqueles que procuram uma nova forma de viver neste nosso Portugal.

Fazer voltar a acreditar que é possível crescer e que é possível ser livre, que não precisamos mais de ter medo para conseguir vencer uma crise e que não temos que deixar de nos batermos por tudo aquilo em que acreditamos.

É este o pequeno milagre que peço aos líderes destes partidos.

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