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Artigo de Bruno Bobone, Presidente da CCIP, na sua rúbrica semanal no Diário de Notícias.

Estamos prestes a escrever uma nova página da nossa história. Acabou o tempo da experiência da geringonça. E o que aprendemos com essa experiência?

Acabou o mito de que não se podem fazer alianças com partidos extremistas, ainda que a esquerda nos queira fazer acreditar que isso é tão-só uma prerrogativa da sua área de influência. A verdade é que está desfeito o mito e é bom que a direita assuma claramente esta conclusão. Com esta pretensão, de ser apenas sua prerrogativa, a esquerda volta a mostrar a sua arrogância e a sua intolerância, tornando-se mais uma vez a grande promotora da censura, que tanto criticaram no passado.

Mas aprendemos mais.

Que a associação com partidos extremistas condiciona a razoabilidade das decisões governativas: estes partidos apenas vivem dos seus temas fraturantes, que começam por destruir os valores do bem comum, mas que acabam sempre por chegar ao ponto da destruição do próprio governo, no momento em que este já não pode continuar pura e simplesmente a ceder.

Aprendemos ainda que apesar de a associação a partidos extremistas não condicionar no imediato a essência da vida democrática, vai corroendo essa essência e vai distorcendo a forma de viver a democracia.

Finalmente, aprendemos que a determinação de não abrir a porta aos partidos de poder no sentido de encontrar as melhores soluções para o caminho do país, ainda que pontualmente se possa negociar com outros partidos para temas que o justifiquem, coloca os governos minoritários nas mãos de partidos que não têm qualquer preocupação com a situação real do país e dos seus cidadãos, para além de aumentar a clivagem de todos quantos acabam por ficar alheados das decisões de governação - e que normalmente representam cerca de 50% da população.

Tudo isto resulta inevitavelmente na criação de uma situação de crise política que nos arrasta para uma perda de qualidade de vida e para uma desaceleração do crescimento económico essencial a essa qualidade de vida.

E então o que queremos?

Queremos um governo com visão para Portugal, que não tenha de estar a negociar a todo o momento, um governo que nos dê a estabilidade para investir, que não proponha o facilitismo, que não aumente o peso da função pública, que siga os exemplos dos países que mais crescem, que apoie as empresas e os empresários a criar novos projetos, especialmente industriais e no âmbito do mar.

Queremos um governo que dialogue com quem produz e cria, que promova o salário digno que tem de ser conseguido pela motivação dos trabalhadores na sua produtividade. Que promova uma unidade nos projetos empresariais em vez de promover a política de ideologia.

Queremos um governo que nos escute e que nos envolva nas suas decisões, um governo que esteja verdadeiramente focado em promover o bem-estar dos portugueses e menos preocupado com o projeto pessoal e partidário de cada um.

Mas para isso também precisamos de ter à frente dos partidos pessoas que se disponham a bater-se por estas ideias e que deixem os seus conflitos individuais e pequeninos para poder beneficiar grandemente o nosso país.

Não façamos de Portugal o quintal de cada um, mas sim o projeto aglutinador de todos os portugueses.

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