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Artigo de Bruno Bobone, Presidente da CCIP, na sua rúbrica semanal no Diário de Notícias.

Nos últimos dias tenho pensado muito sobre esta história tão rica e tão desafiante que tem sido a história da Igreja e, mais ainda, a história ainda mais misteriosa da linhagem de papas, desde que Jesus Cristo nomeou São Pedro, até aos dias de hoje.

Não cheguei tão longe e comecei por tentar compreender a linhagem dos papas da minha vida.

Começando naturalmente pelo Papa Paulo VI, um homem que começou o seu trabalho com a finalização de uma grande revolução na Igreja Católica, no que se refere aos comportamentos.

Com a finalização do Concílio Vaticano II, a Igreja fazia uma grande mudança na sua forma de estar.

Aquilo que mais me marcou foi a sua profunda convicção sobre a separação da Igreja dos governos dos Estados, uma fundamental decisão tanto para o trabalho da Igreja como para o crescimento da independência governamental.

Esta mudança que, como todas as mudanças, tem sempre uma oposição por parte daqueles que se sentem cómodos na situação anterior, veio dar maior abertura à autonomia de alguns governos, mas veio sobretudo dar à Igreja a possibilidade de defender as suas crenças com base nos valores e princípios que defende.

Mas esta evolução não se deu, nem assim se esperava, de imediato. Foi um processo evolutivo que nos acompanha até aos dias de hoje.

Depois, quando morre Paulo VI, é eleito o Papa João Paulo I. É um Papa com um tempo de vida muito curta e que nos deixa suspeitas sobre o que lhe terá acontecido. Uma chamada de atenção de que algo não está perfeito dentro da Igreja.

Para nos reconciliar com esta Igreja, depois de uma revolução e de uma suspeita, vem João Paulo II, o homem que traz a Igreja a todos os recantos da Terra. Um homem que é um sorriso, uma amabilidade, um amigo.

É ainda uma grande imagem da disponibilidade e da proximidade de Jesus com todos nós.

Tudo ficou a parecer que era possível, tudo era fácil, tudo é amor. Mas ficou também o entendimento de cada um de nós sobre a mensagem que nos trazia.

Por isso vem depois o Papa Bento XVI. Um Papa que vem trazer muita clareza intelectual sobre aquilo que foi a mensagem do seu antecessor. Um homem de uma coragem enorme, de uma intelectualidade que permitiu escrever sobre a Igreja, revolucionada por Paulo VI e espalhada pelo mundo por João Paulo II.

Mas faltava olhar ainda ao alerta de João Paulo I. E Bento XVI não tem outra forma de o fazer que não sair, sem deixar que acabe o seu tempo, permitindo-lhe assim anunciar que a Igreja precisa de mudar. É de uma clareza a sua afirmação, que só um novo Papa, com características de fazedor de mudanças, o poderia realizar.

E vem assim o Papa Francisco. Com uma missão de uma vez mais revolucionar a forma da Igreja. Um homem que traz ideias mais radicais, que é dado à ação, e que pode cumprir a missão que lhe é atribuída.

Um Papa que conta com o apoio mundial de quem nele vê a mudança da Igreja. Alguns enganados e convencidos de que seria para reformar o pensamento de Cristo, outros mais conhecedores, sabendo que precisamos todos de ser recuperados nos nossos atos para voltar a olhar a essência da mensagem de Jesus.

Contou também com a resistência daqueles que mais sofrem com a mudança.

E assim vai fazendo o seu trabalho. Quem ler os escritos de cada um destes papados vai ver que a essência não muda, o que muda é o foco onde se quer produzir a mudança.

E a Igreja está mais forte.

Que história tão bem escrita!

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