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Artigo de Bruno Bobone, Presidente da CCIP, na sua rúbrica semanal no Diário de Notícias.

Eu sou de Quelimane. Acredito que a maioria dos portugueses não tenha ideia de onde é esta cidade moçambicana, mas foi de lá que saíram algumas figuras muito conhecidas no nosso país.

O vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, grande responsável pelo êxito do programa de vacinação, a ministra Maria Manuel Leitão Marques, responsável por uma remodelação administrativa que nos colocou na linha da frente europeia na digitalização, o empresário Fernando Nunes, o economista Victor Bento, o jornalista Camilo Lourenço, entre bastantes outros, são pessoas que estão ligadas a esta extraordinária cidade.

Desde que me lembro que a minha terra era uma pequena cidade de Moçambique. Capital da Zambézia, uma das maiores contribuintes para o PIB moçambicano, onde a vida era pacata e típica de uma cidade sem grandes pretensões.

As pessoas vinham e iam, mas poucas lá ficavam. Contudo, ali vivia-se uma cultura de desenvolvimento e de responsabilidade, de respeito e de compromisso, de aventura e coragem, que permitiu dar a Portugal, como também deu a Moçambique, pessoas que fizeram a diferença.

Ao contrário do que seria de esperar, as pessoas de Quelimane não foram apenas "mais umas" na sociedade em que se envolveram, foram sim, sempre, pessoas que se dedicaram a dar a essa sociedade aquilo que lhes competia conforme as suas capacidades.

A cultura moçambicana em que foram fazendo o seu caminho deu-lhes uma abertura de espírito que lhes permite aceitar que é sempre possível fazer bem e fazer o bem. A cultura de responsabilidade deu-lhes a capacidade de trabalho e a coragem permitiu-lhes aceitar as responsabilidades de serem competentes e inovadores.

Mas, acima de tudo, o que caracteriza estas figuras é a sua humanidade e o respeito pelos outros a quem servem.

Haverá sem dúvida noutras cidades pessoas valentes, decididas e competentes que também dão muito pelo seu país e haverá com certeza pessoas de Quelimane que não tenham conseguido fazer tanto pelo seu próximo, mas aquilo que quero fazer aqui é valorizar a comunhão de valores humanos, de humildade e de tolerância que caracterizam estas pessoas - que também são exigentes e esforçadas no seu desempenho, como exemplo para aquilo que acredito ser o modelo de cidadãos que quero para o meu país.

Que definitivamente deixemos de aceitar a mentira em que nos temos enredado ao longo dos últimos anos em que passámos a ter de acreditar que quem nunca assumiu responsabilidades não se dedica aos outros, não é exigente, é egoísta e sobranceiro, que não pode ser a referência da nossa sociedade ou que será sequer capaz de assumir nela um lugar de liderança.

É tempo de reconhecer os atos grandes daqueles que nos conduziram às soluções de sucesso, em quem pudemos confiar verdadeiramente e que são sempre exemplo de respeito pelas pessoas e pela sociedade.

Já chega de seguir pessoas que se afirmam as grandes defensoras das causas humanas e que nunca nada fizeram em prol das pessoas que as rodeiam. De ser condicionado por todos os que nos inibem de dizer o que pensamos sob a justificação de que a democracia tem de inibir a liberdade.

Temos de motivar que venham a público todos os que, oriundos das várias Quelimanes dispersas por este nosso país, nos tragam de novo o orgulho de Portugal e nos levem a sair de casa para ajudar este nosso grande país.

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