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Artigo de Bruno Bobone, Presidente da CCIP, na sua rúbrica semanal no Diário de Notícias.

O domingo chegou como mais um dia de eleições. Com as previsões claramente marcadas pelas sondagens e com a garantia de que a maior probabilidade seria de que a esquerda, e especialmente o partido do governo, sairiam deste ato eleitoral com mais uma vitória, sem alternativa por parte da população que se identifica mais com a direita em Portugal.

Apesar de haver já o fenómeno dos independentes ganhadores, onde se destacavam Rui Moreira, Isaltino Morais e Santana Lopes, a vitória anunciada estava muito baseada na conquista da cidade de Lisboa, bastião de honra do Partido Socialista.

Mas em Lisboa aconteceu aquilo que ninguém acreditava ser possível.

A população da capital estava farta de uma gestão altiva da Câmara de Lisboa, que tinha ficado rica por condições excecionais, resultado primeiro de uma negociação muito inteligente de António Costa, que vendeu os terrenos do aeroporto de Lisboa ao governo nacional, ganhando uma verdadeira fortuna, e do aumento exponencial do turismo, que muito pouco ficou a dever ao executivo camarário da cidade.

A par disto, a sensação de incompetência que transmitiu a excessiva dependência de um arquiteto na gestão urbanística da cidade que, mesmo depois de ter saído da posição informal de vice-presidente da câmara, se manteve sempre demasiado perto, deixando a ideia da incapacidade do anterior executivo da municipalidade.

A postura altiva com que foram feitas as grandes escolhas da estratégia de desenvolvimento da qualidade de vida na cidade de Lisboa, seja na absurda imposição das ciclovias em detrimento dessa mesma qualidade de vida, seja da gestão do alojamento local, da incapacidade de desenvolver ofertas de habitação, seja até da falta de cuidar das ruas de Lisboa, levaram a que o povo de Lisboa não quisesse mais acreditar em quem lhe promete aquilo que nem sequer pensa cumprir.

Por outro lado, a grande humildade com que o engenheiro Carlos Moedas se apresentou como candidato, a defender valores de que a maioria dos partidos já se esqueceu, mostrando que as pessoas lhe importam de verdade e o cuidado com que se trata as suas preocupações é essencial, trouxeram de volta a votar nele todos aqueles que nas eleições anteriores tinham votado em candidaturas mais alternativas como forma de protesto.

De uma vez mostrou que tanto a política baseada no marketing de ideias como a que se baseia em excessos como forma de protesto, são completamente destronáveis por quem trabalha seriamente e se propõe servir os outros e não servir-se deles.

Por outro lado, aqueles que se sentem menos identificados com a sua origem política e que não consideraram votar nele também não viram na sua possível candidatura razões de preocupação para que os levasse a manter o voto útil no Partido Socialista, como tinham feito em eleições anteriores.

Certo é que a proposta que Carlos Moedas vem trazer à política é uma proposta de verdade, de educação, de cuidado com as pessoas e de seriedade, que foi muito mais aglutinadora do que a maioria dos analistas acreditaram e que as sondagens - avaliações cheias de buracos negros - falharam redondamente.

É esta mudança política que me enche de esperança de que seja possível voltar a ocupar os lugares de liderança do nosso país com pessoas que são credíveis porque acreditam mesmo que o país está acima de quaisquer interesses.

Mas não nos deixemos enganar. Esta foi uma vitória de Carlos Moedas e não do PSD ou do CDS, que pouco mudaram no entretanto e que muito pouco se disponibilizaram a apoiar verdadeiramente a sua candidatura. Apenas na parte final, quando começou a parecer que poderia haver alguma massa crítica para dar fôlego a estes partidos, é que eles se envolveram nesse apoio.

A Carlos Moedas o que é de Carlos Moedas. E é a partir de Carlos Moedas que devemos reestruturar a forma de fazer política em Portugal.

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