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Artigo de Bruno Bobone, Presidente da CCIP, na sua rúbrica semanal no Diário de Notícias.

Portugal recebe este ano um valor exorbitante da UE para relançar a economia, após um período de dois anos em que, seja pelo impacto direto da pandemia, seja pela errónea gestão feita durante a mesma, sofremos grandes prejuízos económicos, psicológicos comportamentais e políticos.

A extrema propagação do pânico, criada por lideranças do nosso país e muito promovida em certas redes e por quem quer recuperar a sua influência na sociedade, aumentaram significativamente os prejuízos causados por este vírus que foi grave e que, segundo os números oficiais, matou 0,17% da população portuguesa, essencialmente pessoas com doenças já declaradas e de idade avançada.

Vale a pena aqui referir que estão incluídos nestes números todas as pessoas que morreram em acidentes de automóvel e de outras razões não provocadas pelo vírus, desde que estivessem infetados, o que desvirtua a análise sobre os efeitos reais da pandemia.

Agora que politicamente já tem interesse voltar a dar às pessoas alguma liberdade para que recuperem um sentimento de vitória e apreciem com maior bondade as forças políticas que estão no poder (e é justo reconhecer que qualquer força política que estivesse nestas circunstâncias tomaria provavelmente decisões semelhantes), em que já pouco importa criticar o passado, é tempo de olhar o futuro e tentar evitar cair em erros que nos coloquem de novo em situações de perda de qualidade de vida e de oportunidades de desenvolvimento.

A BAZUCA, nome impressionante para uma entrada de dinheiro destinado à salvação e projeção da economia, está já disponível e a ser distribuída, sem que se saiba ao certo para onde irá, quais os objetivos de cada aplicação e quais os resultados que se esperam do investimento realizado.

Pior, aquilo que sabemos é que vamos ser inundados de investimento público sem qualquer valor produtivo e pouco ou nada será investido na estrutura produtiva deste país.

Quando os americanos, no pós-guerra, aprovaram um plano de apoio à economia europeia, que brilhantemente tinha gerido um conflito essencial ao futuro do Mundo, fizeram-no sempre com o objetivo de dotar os diversos países de uma estrutura produtiva.

Para conseguir esse objetivo e porque a crise então vivida, ao contrário da pandemia que estamos a ultrapassar, destruiu todas as estruturas essenciais ao desenvolvimento, era evidente a absoluta necessidade do investimento público que permitiria desenvolver a economia, sempre baseada na criação da capacidade de produção.

Hoje, isto não é verdade!

Temos infraestruturas disponíveis e em alguns casos até excedentes em relação às nossas necessidades. Haverá casos pontuais em que tal desenvolvimento será necessário, como é o caso de todas as atividades relacionadas com o mar e que, curiosamente, têm muito pouca presença nos projetos de que temos conhecimento.

Aquilo que é indispensável, é um investimento numa rede de projetos industriais, diversificado e desenvolvidos com base numa análise profunda das necessidades dos mercados e com uma consciência clara dos objetivos que queremos atingir, seja geográfica (quais os países em que queremos intervir), seja da relevância dos produtos produzidos.

Em 1945 foi feito um plano, foram aplicados muitos milhões e a Europa tornou-se o melhor continente do Mundo em qualidade de vida.

Hoje vão ser aplicados milhões, sem um plano e provavelmente vamos aumentar a nossa qualidade de vida durante cinco anos e voltaremos a ser pobres de aí por diante.
Não tinha que ser assim, não devia ser assim, porque a pobreza não pode ser um destino.

 

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