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Artigo de Bruno Bobone, Presidente da CCIP, na sua rúbrica semanal no Diário de Notícias.

Tenho assistido nos últimos tempos a um enorme vazio de opinião da área da direita portuguesa. Nem PSD nem CDS têm conseguido transmitir uma ideia de alternativa ao governo atual. Não há uma visão de qual seria o caminho a seguir, de qual é o Portugal que gostariam de construir nem de quais os valores que quereriam implementar.

É um silêncio ensurdecedor que deixa quase 50% da população sem saber que pode esperar melhor.

Entretanto, surgiram vozes à direita que vêm, com coragem, mostrar algumas das coisas que estão mal e com as quais não devíamos ser obrigados a conviver. Erros que também tenho vindo a denunciar, que estão a condicionar a vida da nossa sociedade e que, sem qualquer dúvida, devemos denunciar e, principalmente, nunca pactuar.

Outros, sem se afirmarem nos valores da direita, defendendo o absoluto do liberalismo (algo que em alguns temas se confunde com a anarquia), têm levantado o dedo a determinadas atitudes governamentais que condicionam a vida dos cidadãos e que lhes roubam a sua capacidade de decidir, bem como denunciado o abuso fiscal em que se vive em Portugal.

Na verdade, nem uns nem outros nos deram a visão do que poderíamos contar caso viessem a ser eles os eleitos para liderarem o nosso país.

Tudo isto foi assim durante os últimos anos, tanto nos tempos normais em que nos preocupávamos com os temas correntes da gestão do país, como nos tempos anormais da pandemia, em que senti ainda mais a ausência de quem me representasse e que me defendesse ante a louca desorganização e prepotência a que fomos sujeitos, sob a desculpa de que tudo estava a ser feito para o bem das pessoas e sem que essas mesmas pessoas fossem consideradas.

Chegados agora ao verão, o silêncio tornou-se ainda mais pesado. O governo, de férias, toma decisões sobre as nossas vidas que ninguém contesta; Rui Rio está de férias e nem trabalha nem deixa que alguém trabalhe por ele; de Chicão nem noticias; Ventura reorganiza-se com o partido a tentar ser, e o Liberal desapareceu.

O governo decide e a dívida portuguesa atingiu o seu máximo de sempre. A bazuca já está a ser distribuída. As medidas de contenção da pandemia foram alteradas. Os fogos voltaram, como sempre.

E da oposição da direita apenas assistimos a uma absurda proposta de prolongar a utilização de máscaras por parte do PSD, numa altura em que de Inglaterra não recebemos as tão previstas notícias de caos por terem libertado o povo britânico das medidas de contenção da pandemia.

O número de infeções manteve-se aparentemente elevado, mas o vírus tornou-se de facto uma doença endémica e deixou de condicionar a vida do país em termos económicos e sociais como o fez ao longo do período da pandemia.

Um governo sem contraditório é um aborto da democracia. O silêncio da oposição é inaceitável.

Precisamos de mudar depressa. De voltar a condicionar a vida política, de ser capazes de limitar os erros da governação e de fazer valer os nossos pontos de vista.

Precisamos de criar uma visão alternativa do nosso país que nos leve a ter vontade de lutar por uma nova maneira de viver. Precisamos de nos bater por criar uma sociedade baseada nos valores e princípios em que acreditamos. Uma sociedade que se preocupa com as pessoas e o seu futuro, com as famílias e a educação, com o bem comum e o respeito pelo que é de todos.

Para isso precisamos de que esteja aí alguém.

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