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Artigo de Bruno Bobone, Presidente da CCIP, na sua rúbrica semanal no Diário de Notícias.

Estamos a viver um momento em que alguns pretensos iluminados nos vêm dizer que tudo aquilo em que acreditámos até ao dia de hoje - as verdades em que baseamos toda a estrutura da nossa vida - está errado.

Ao contrário daquilo que nos possa parecer, a nós, simples mortais sem a inteligência iluminada, aquilo que vemos, deixou de ser verdade.

Há poucos anos deixámos de ter raças humanas. Já não há pessoas de cores diferentes. As crianças não nascem rapazes e raparigas: o que tanto faz porque também já não existe diferença entre os sexos.

Os animais têm tantos ou mais direitos do que as pessoas e não as podem servir, mas serem por elas servidos. Se um cão é de raça perigosa (os cães por enquanto podem ter raças...), quem tem de tomar cuidado com eles são os que com eles se cruzam, até porque, apesar de estar proibido passear cães sem trela ou açaime, é prática corrente o incumprimento da lei, sendo mesmo indesculpável que alguém tente chamar a atenção sobre essa questão.

Os animais não podem ser mortos, enquanto as crianças podem.

Na verdade, vivemos hoje num mundo em que fizemos crescer significativamente a riqueza produzida, em que conseguimos aceder à tecnologia no sítio mais recôndito, em que as populações têm acesso a mais informação, em que temos a capacidade de chegar e fazer chegar produtos a todo lado.

Contudo, apesar de toda esta evolução, a realidade de alguns setores da sociedade não tem o mesmo acesso à distribuição da riqueza produzida, a distribuição dessa riqueza não está a ser razoavelmente partilhada por toda a sociedade.

É esta insatisfação que dá espaço a que apareçam as teorias de destruição de valor como ideologias de salvação, afirmando que a solução está no oposto dos valores em que baseámos a nossa estrutura de vida.

Uma visão populista que afirma tudo e o seu contrário, mas que utiliza a ideia de dar satisfação a todos os sofrimentos que caracterizam a vida de cada um, com um objetivo único de conseguir ascender ao poder.

Utilizam o sofrimento de algumas pessoas para generalizar a teoria de género, o sofrimento das mães para justificar o aborto, o mau-trato de alguns animais para promover a sua idolatração, utilizam o exemplo de ostracização de algumas minorias que não se querem integrar na sociedade para justificar a promoção de um antirracismo contra quem nunca foi racista.

Por outro lado, promovem regimes em que a mulher é maltratada, outros em que há escravatura, outros ainda em que o poder é detido e suportado pelo comércio ilegal de drogas. Um verdadeiro paraíso da incongruência e do desvario, apenas para ganhar o apoio dos descontentes.

Ora, a maioria de nós sabe que a verdadeira solução não está na destruição da base de valores e princípios que estruturaram a nossa sociedade e que a permitiram crescer até este ponto em que estes contestatários podem dizer tudo o que lhes apetece porque vivem numa sociedade democrática e livre, com relativo poder económico e uma tecnologia de comunicação em que todos podem manifestar as suas opiniões.

A solução está em melhorar esta sociedade, mas sempre com base nos valores que são imutáveis. O valor da vida humana, da centralidade da pessoa, da família, da segurança, da responsabilidade, do respeito pelo ambiente, do respeito pelas instituições.

É essencial que nos empenhemos todos a defender aquilo em que acreditamos, a lutar contra o politicamente correto que nos leva a caminhar no sentido errado. Deixemos de acreditar em que temos de aceitar o que nos impõem apenas porque não fazemos ouvir a nossa voz.

De uma vez por todas vamos mudar. Voltemos a tomar parte ativa na decisão do nosso destino.

Uma sociedade baseada nas ideias que nos tentam vender não é sustentável, não é criadora de riqueza, não é livre e não melhora a qualidade de vida de ninguém.

Falta-nos a coragem do pequeno que ousou dizer a todos que, apesar de o grande alfaiate dizer o contrário, o rei ia nu.

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