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Artigo de Bruno Bobone, Presidente da CCIP, na sua rúbrica semanal no Diário de Notícias.

Quatrocentos mil novos pobres em Portugal por causa das medidas de combate à pandemia!

E ainda ninguém veio a público dizer que isto também é uma calamidade e que também é fundamental tratar deste assunto como uma emergência.

Durante um ano e meio cuidámos da resistência a um vírus - que teve uma letalidade que atingiu um número de mortos na ordem dos 17 mil - e que, felizmente, já não tem o mesmo impacto nem gravidade, uma vez que a grande maioria das pessoas de risco estão vacinadas.

Hoje é o tempo de tratar de todos quantos colocámos em situação de sofrimento. E precisamos de salvar todos aqueles que necessitam de toda a nossa atenção para voltarem a viver com um mínimo de dignidade e de respeito.

Foram eles que sacrificámos para que a maioria ficasse bem: para que todos os que precisaram - ou apenas aproveitaram - pudessem ficar em casa. Foram aqueles que não podiam ter parado quem ainda hoje estão a ser prejudicados pelas decisões erróneas da ministra da Saúde e dos governantes deste nosso país, que teimam em acrescentar sofrimento sem benefício para quem já tanto pagou, e que não podem fazer os seus negócios nem podem voltar à vida.

São os que verdadeiramente levam o país para a frente com o seu trabalho nas empresas quem cria a riqueza que permite ao Estado pagar as soluções para enfrentar a pandemia. São esses que ficaram sem parte ou a totalidade do seu ordenado para sustentar um aparelho público e manter os seus funcionários em casa sem perda de rendimento e recebendo o seu subsídio de alimentação, e muitos deles sem sequer estarem em teletrabalho.

E agora, que precisam que nos preocupemos com eles, não ouvimos sequer uma palavra deste mesmo Estado no sentido de os proteger, de lhes dar uma mão e de lhes permitir voltar a viver.

Mas é mesmo assim este Estado que esconde aqueles que prevaricam e só intervém quando é obrigado a fazer. Aconteceu com o Ihor, mas aconteceu também nos fogos e no desaparecimento das armas. Esperemos que não seja também o caso do Nuno, morto na autoestrada, sem se tornar público o que verdadeiramente aconteceu.

É este Estado que continua a decidir confinar Lisboa, prejudicando todos os que aí têm negócios, levando todos os lisboetas a almoçar e a comprar nos concelhos limítrofes.

Fechando atividades que já não têm onde ir buscar forças para continuar e condenando-as a uma entrada forçada na pobreza.

E tudo em prol de uma visão ideológica que, pelos resultados obtidos, não pode deixar de ser uma ideologia errada e prejudicial a Portugal e aos seus cidadãos.

É tempo de ter coragem e de defender aqueles que agora precisam de nós. Todos os que perderam o seu sustento e que a sociedade tenderá a esquecer e a deixar para trás, porque, entretanto, os substituirá nas suas funções por outros que saíram desta crise sem sofrimento.

Chega de fingir que nos preocupamos e chega de defender aqueles que estão menos expostos.

Vamos cuidar e ajudar aqueles que verdadeiramente precisam agora da nossa atenção.

Tenhamos coragem de servir a quem nos serviu e tirá-los desta calamidade.

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