China: a alteração do paradigma económico

A China é um dos maiores países do mundo, com uma população de 1.350 milhões de pessoas, das quais 47% vive em meio rural mas pretende aceder ao nível de vida das cidades e das zonas costeiras.
A evolução económica deste país tem registado um ritmo notável: em 1990 a economia chinesa ocupava o décimo lugar a nível global e em 2013 era já a segunda economia do mundo e a primeira potência comercial. Em 2013, a soma do valor total das suas exportações e importações atingiu os 4,16 biliões de dólares.
O novo modelo de desenvolvimento económico procura uma maior autossuficiência, para o que a China promoverá uma série de reformas estruturais orientadas para o mercado e para um maior consumo privado. A tendência será a aposta na qualidade em detrimento da quantidade.
Esta reformas correspondem a uma alteração do paradigma económico, abandonando–se  a ideia de uma economia basicamente exportadora, a “fabrica do mundo”, como alguns lhe chamam, para passar a ser também um gigantesco mercado não só para as empresas chinesas mas também estrangeiras.
O grande desafio será cumprir este programa em paralelo com a necessidade de aumento do emprego e de manutenção de taxas de crescimento de 7,5% como foi anunciado para este ano, tendo por base um sistema económico baseado no baixo custo de mão-de-obra e na desvalorização artificial do yuan, o que favorece naturalmente as exportações e a acumulação de divisas estrangeiras.
A nova política visando o alargamento da abertura da economia ao capital privado e ao investimento externo poderá ajudar a ultrapassar este desafio. Igualmente, o sector bancário foi aberto à iniciativa privada, prevendo-se para este ano a criação de entre 3 e 5 bancos privados. Contudo, para que esta abertura dê resultados, há que fazer também alterações profundas na sua  burocracia que, por vezes, apresenta incompatibilidades a nível local, regional e nacional.
Um outro obstáculo que as empresas europeias, nomeadamente as PME, têm de enfrentar é o da propriedade intelectual, sendo que uma marca registada na Europa não usufrui de protecção em território chinês. Em todo o caso, a legislação chinesa nesta matéria, foi recentemente revista e entrará em vigor previsivelmente em 1 de Maio de 2014, sendo que fornece uma maior protecção para as empresas que se pretendam instalar na China.
A Comissão Europeia, atenta a este problema, lançou o “China IPR SME Helpdesk”, destinado a proporcionar um aconselhamento gratuito sobre propriedade intelectual às PME europeias que pretendam investir na China.
No campo das relações internacionais o seu interesse em África tem-se vindo a aprofundar, sendo que comércio bilateral tem aumentado significativamente todos os anos. O continente africano é particularmente rico em recursos naturais, nomeadamente minerais, que fazem falta à China e é, por outro lado, um excelente destino para as mercadorias chinesas de baixo custo.

Enquadramento económico

Para além dos problemas já referidos, a verdade é que a economia chinesa não pára de crescer e as estatísticas são impressionantes. Mesmo tendo desacelerado, fruto essencialmente da diminuição da procura exterior, é já a segunda economia do mundo, com um crescimento em 2013 de 7,7% (FMI), tendo a inflação ficado nos 3,5% e a taxa de desemprego nos 4,1%. A meta de crescimento para 2014 é de 7,5%.
Segundo o Global Competitiveness Report 2013-2014, a China está na 29ª posição entre 148 países (a mesma posição de 2013) e na 96ª posição do Doing Business Report 2014 (91º em 2013). No que se refere ao risco de crédito, a COSEC classificou-a no nível 2 (1 risco menor e 7 risco maior).
Sob o ponto de vista económico, e para além dos já referidos, a China apresenta alguns desequilíbrios importantes, sendo que em apenas 9,4% da área total do país, estava representado em 2013, quase 50 % do PIB do país correspondente às províncias de Guangdong, Jiangsu, Hebei, Shandong, Zhegiang, Henan e Shangai . A forma como vai lidar com a questão das transferências de população do campo para as cidades será um dos maiores desafios deste século e da forma como decorrer vai depender também muito a situação mundial. Será muito difícil compatibilizar uma série de objectivos do governo chinês: manter uma elevada taxa de crescimento económico, transferir as populações para as cidades, tendo de lhes dar emprego e, ao mesmo tempo, evitar a sobreprodução. E, finalmente, o problema a questão da produção agrícola face à mobilidade para as grandes cidades.

Relações Comerciais com Portugal e Oportunidades de Negócio

A balança comercial com a China tem sido sempre muito desfavorável para Portugal, embora nos dois últimos anos a situação tenha melhorado ligeiramente, com um coeficiente de cobertura de 56,6% em 2012 e 48,2% em 2013.
No que se refere à estrutura das importações, os principais produtos importados foram máquinas e aparelhos (35,7%), metais comuns (11,1%), matérias têxteis (7,6%), químicos (6,5%), vestuário (6,2%) e produtos agrícolas (6,1%), que no seu conjunto representaram 73% das importações.
A estrutura das exportações portuguesas para a China no ano passado foi composta por veículos e outro material de transporte (41,7%), minerais e minérios (14,3%), pastas celulósicas e papel (9,4%), máquinas e aparelhos (7,5%), matérias têxteis (4,7%) e plásticos e borracha (4,6%), que no seu conjunto representaram 84,7 % das vendas para este país.
Em 2013, as exportações tiveram um decréscimo de 15,3% face ao ano anterior (INE), o que muito se ficou a dever à grande quebra nas vendas de veículos e de minerais e minérios. No entanto houve sectores que apresentaram um crescimento, tais como as pastas celulósicas e papel; têxteis e vestuário; plásticos e borracha; calçado e químicos. De referir ainda que, de acordo com os dados estatísticos mais recentes, em Janeiro deste ano, as exportações para a China cresceram 7,3 %.
Quanto às oportunidades de exportação para a China, os principais grupos de produtos são: partes e acessórios para tractores, autocarros e veículos automóveis; minérios de cobre e seus concentrados; interruptores e outro material eléctrico; polímeros de etileno em formas primárias; medicamentos; fibras ópticas e feixes de fibra óptica, cabos, lentes; fios de algodão; vestuário; vinhos e mosto de uvas; calçado com sola de borracha e parte superior de matérias têxteis e azeite.
Refira-se ainda que, em apenas dois anos, os investimentos chineses em Portugal totalizaram 8 mil milhões de euros. Entre estes investimentos, pela sua dimensão, devem ser destacadas as tomadas de posição na EDP, REN e na Caixa Seguros, sendo que outros sectores alvo do interesse chinês foram o agro-alimentar, tecnologias de informação, saúde e construção.

Conheça algumas das nossas Associadas com presença na China:

Carlos Cruz & Associados

Servir de veículo ao investimento das pequenas e médias empresas na China e, em sentido inverso, facilitar a aposta dos investidores chineses no nosso país, são estes os dois objectivos centrais a que a sociedade de advogados, Carlos Cruz&Associados (CCA) se propôs com a aposta da abertura de um escritório em Xangai.

Hovione

A Hovione inaugurou as instalações/fabrica em Macau em 1986 e, em 2008, estabeleceu uma parceria com a Hisyn, que está localizada em Zhejiang e que se dedica ao desenvolvimento de substâncias activas de meios de contraste de alta qualidade. A empresa também dispõe de um centro de Investigação e Desenvolvimento em Xangai.

Grupo Enoport

Grupo Enoport detentor de várias marcas de vinhos abriu um Show Room em Xangai, em 2012. Aliando a longa tradição vitivinícola Portuguesa com o crescimento do mercado de vinho na China, este espaço pretende ser um local de comunhão entre culturas onde a partilha de experiências exalta as características excepcionais dos vinhos Portugueses.

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